Meus professores de língua portuguesa, na época em que eu terminava o ensino fundamental, ficavam possessos com a ortografia utilizada na internet. Eles não entendiam como os jovens faziam questão de escrever errado na rede, além de ter a capacidade de criar abreviações incríveis para as palavras.
 
Era o início de uma comunicação revolucionária. Especialistas diziam que estava nascendo uma nova linguagem. As transformações tecnológicas trouxeram agilidade e rapidez nas ações do cotidiano de qualquer pessoa. E escrever conforme as regras gramaticais era perder tempo.
 
Mas, como o bem sempre vence o mal, este período de adaptação à internet já acabou. A web 2.0 faz com que o receptor de informação também seja um criador. E basicamente tudo passa pelo bom exemplo, ou seja, falar e escrever corretamente.
 
Lá no fim dos anos 90 e começo dos anos 2000, os programas de conversação instantâneos criaram um socioleto fofinho e miguxinho. A lei era simplificar o máximo possível a ortografia. Substituía-se “s” e “c” por “x”. O acento agudo era transformado em “h”. Palavras terminadas em “e” ou “o” logo finalizavam com “i” ou “u”. Ou seja, a fonética ganhava o espaço da ortografia.
 
Quem ainda escreve assim é condenado veemente. Ou não conseguiu acompanhar a evolução e ainda faz parte da geração passada (um especialista em cibercultura disse que gerações agora mudam a cada três anos). As redes sociais deram espaço para a tal liberdade de expressão, algo que antes era restrito a publicação de artigos em jornais; discussão em pequenos grupos ou manifestações pelas ruas. E, para que sua opinião ganhe relevância, escrever certo é o princípio.
 
Dia desses, um conhecido meu publicou uma frase com uma palavra errada por estas redes sociais. Foi o suficiente para que várias pessoas fizessem a correção. Hoje, todo mundo passou a ser monitorado pela internet não apenas por amigos, namorados e família, mas por empresas e parceiros profissionais. Se no vestibular é essencial ter uma boa redação, imagina no trabalho.
 
Escrever de acordo com as regras gramaticais é bonito, é elegante, dá status e sempre vai estar na moda. Nunca vai confundir o receptor da mensagem e continuará sendo a alegria dos professores de língua portuguesa.