A “gripe suína” não tem nada a ver com o suíno, a propagação é de homem a homem. Trata-se de um problema sério de saúde pública. O tema da saúde animal e da qualidade na produção da carne suína é uma preocupação crescente não só dos produtores e organizações setoriais, mas também dos próprios consumidores. Agora, com a gripe suína, essa problemática volta à tona, agora com um poder midiático imensamente ampliado, e devido a esse poder (mídia), existem pessoas chegando aos aeroportos com febre ou náuseas e achando que vão morrer, viagens sendo canceladas, contratos deixando de ser fechados. Esse é o quadro do momento por causa de um novo agente causal de gripe para a qual a população ainda não possui todas as defesas orgânicas estabelecidas.

Interessante notar que o nome “gripe suína” certamente tem um grande impacto sobre o setor suinícola especificamente, ainda que não haja qualquer ligação científica entre o suíno e a doença. Até o momento, não foram identificados animais no México ou nos EUA que tenham a doença, de forma que, até o momento, o máximo que se poderia dizer é que é uma gripe com maior poder de matar, mas não que é uma gripe de origem animal e, mais especificamente, suína, ou seja, o consumo da carne suína é seguro e a doença não é transmitida pelo consumo da carne, mas sim pelo contato entre humanos.

A confusão vem das características dos vírus. Além das características do vírus “influenza humana”, o vírus atual também tem características do vírus influenza para suínos e do influenza para aves. Hoje, com a gripe já chamada de mexicana, acontece a mesma coisa, embora a Organização Internacional da Saúde (OMS) tenha atendido ao pedido de suinocultores de todo o mundo e tenha dado o nome de gripe A (para ficar bem fácil), ainda uma parte da mídia continua a chamá-la de gripe suína.

Neste momento de fechamento de mercados internacionais como China e Rússia, faz-se urgente que o setor suinícola brasileiro consiga mostrar que a produção brasileira tem a biossegurança necessária à produção de um suíno saudável, ao mesmo tempo em que deve iniciar uma rápida campanha de conscientização da população para que esta saiba que não se trata de uma gripe suína, mas sim de uma gripe forte, mas sem relação com a suinocultura.

Porém, nunca ninguém veio até a mídia para falar das qualidades da carne suína, por exemplo, em uma pesquisa recente, 35% das pessoas não come carne de porco porque faz mal à saúde, outros 55% porque é muito gorda, mas a verdade não é essa “o porco fez regime e virou suíno”, devido ao melhoramento genético, o suíno hoje possui 55% a 60% de carne magra e uma espessura de toucinho de 1 a 1,5 centímetro. Está na hora da população conhecer as qualidades da carne mais consumida em todo o mundo.
As notícias são assim: Cientistas da OMS dizem que a gripe suína não tem nada a ver com os porcos, não passa para os humanos e que a carne pode ser consumida sem problemas.

Ora, está ocorrendo algo parecido com a dona de casa que não sabia que linguiça é feita, por definição, com carne suína.
Embora a mídia já tenha falado que a transmissão se dá pessoa a pessoa, o fato de que alguma vez o vírus possa ter passado do animal para o homem não significa que isso continue a acontecer, como não continua a transmissão de HIV de macacos para o homem e sim entre humanos.
A mídia tem destacado que a carne não é afetada, e nem poderia, pelo vírus e que pode ser consumida. Mas a pecha acaba ficando, só pelo fato de se usar o nome “gripe suína”.

A situação da nossa suinocultura não é das melhores. Crise globalizada, renda sendo reduzida, compradores cancelando contratos e, agora, uma gripe em gente, que continua a ser chamada de suína. Ninguém merece!
O que não pode ocorrer é a desinformação que ocorreu no passado. Não estamos no tempo da ditadura militar, a imprensa pode circular à vontade e é bom que o faça, esclarecendo a todos, em especial aos consumidores.
É bom que, desta vez, o suíno não pague o “pato” por causa de meia dúzia de espíritos de porco que acabem por tirar proveito em cima de alguém, quase sempre, o produtor rural.