Estou cogitando se não seria hora do engajamento de toda a sociedade para acabar com esta quebra-de-braço estúpida entre governantes de plantão e um setor que é de vital importância na vida de uma nação. Os anos vão passando, as promessas sucedendo-se (principalmente em anos eleitorais, quando dizem ”A educação é prioridade!”, mas, depois de eleitos, a vida segue, como diz Paulo Alceu).

E segue mesmo, arrastando com a barriga as esperanças por uma escola mais agradável, bem estruturada, onde alunos, professores e pais participem vislumbrando a recompensa final que será de todos nós.
Nossa categoria é muito sofrida. São, em sua maioria, pessoas que, além de sustentar a casa, cuidar de filhos em jornadas extenuantes de trabalho, ainda têm que ir para a rua brigar por direitos que já deveriam estar na lei! Uma política salarial pela qual lutamos há muitos anos, por que é tão difícil???

Por que os poderes legislativo e judiciário possuem orçamentos próprios e podem gastar à vontade se o bolo de arrecadação é um só? Por que o próprio governo pode “inventar” tantos gastos?
Por que para remunerar melhor o professor aparece uma tal de responsabilidade fiscal???
São indagações que nos ocorrem e incomodam pelas desigualdades provocadas por um sistema injusto e mesmo irracional.

Enquanto isso, nossos educadores continuam trabalhando em um clima de intranqüilidade e insegurança. E o produto final todos nós sabemos.
Os governos deveriam ser enquadrados não só por responsabilidade fiscal, mas por deixarem as coisas chegarem à greve. Ficam, irresponsavelmente, levando o movimento no deboche, adotando atitudes covardes de ameaças a toda uma categoria que deveria ser muito respeitada.

Está mais do que na hora da população dar um basta nisso tudo, cobrando dos políticos uma atitude em favor da normalidade.Trata-se de defender aquilo que é essencial para nós: o futuro de nossos filhos e netos que estudam na escola pública.

Meu nome é Nilza de Bittencourt Cordini, sou professora aposentada por tempo de serviço desde 1983. Tenho 73 anos de vida, trabalhei 25anos em sala de aula e já passei por esta situação muitas vezes.
Estou vendo que a novela indigesta repete-se porque esbarra na intransigência e intolerância de algumas autoridades que passam, deixando para trás o assunto mal resolvido. (Porém, aposentam-se bem).

Quero mandar um recado ao senhor Paulo Bauer: não use professor aposentado com promessas vagas e vãs para angariar simpatias. Governantes não gostam de aposentado, já tivemos provas disso.
Não deixaremos de apoiar nossos companheiros da ativa até que se faça justiça.