Educação e Saúde resolveram marcar um encontro, para colocar o papo em dia. Então, resolveram marcar este encontro na praça da lamentação. Para não ser mal educada, Educação resolveu chegar mais cedo a esse encontro. Mas qual não foi a sua surpresa, pois, de longe, avistou a sua amiga sentada solitariamente, no banco da praça. Pensou consigo: “Mas o que acontecendo com minha amiga? Ela parece tão triste, tão debilitada, fraca talvez, pois está se apoiando naquela bengala”. 
 
Apressou os passos para ver o que está acontecendo com sua amiga. Chegando bem próxima e com a intenção de elevar a sua autoestima, cumprimentou-a cordialmente: “Boa tarde minha caríssima amiga. Posso me assentar aqui ao seu lado?”. Não ouvindo nenhuma resposta, Educação começou a ficar preocupada e continuou: “O que está acontecendo com você?”. A senhora Saúde, fazendo um esforço daqueles, ergueu a cabeça em direção a Educação. Educação disse-lhe: “Você está muito pálida, seu semblante está horrível. Vejo que você está quase sem força alguma, pois está apoiada nesta bengala desde que cheguei. Não preciso ser médica para ver que o seu quadro é bastante grave. Vou buscar um copo de água para você, e depois iremos ao médico”. 
 
Rápida, Saúde então respondeu: “Muito obrigada, minha amiga. É verdade, você conseguiu notar em mim, mesmo de longe, algo de muito grave. Sim, amiga, já faz tempo que eu estou muito doente; por isso, resolvi chegar mais cedo ao nosso encontro para não deixá-la esperando, pois estou muito mal das pernas. Outra colega me disse que eu estou com uma espécie de reumatismo (artrose) que dificulta muito o meu andar. Agora imagine você, eu, a Saúde, com reumatismo crônico. Já estava difícil, agora mesmo é que vai piorar. Pois, sou eu que procuro fazer tudo lá em casa. E você ainda vem me falar em marcar consulta médica, exames, internamento, etc? Os exames estão pela hora da morte, são artigo de luxo e pobre não tem vez. Se não tiver dinheiro, morre, por não poder pagar. Sobretudo, eu tenho muito filhos você sabia?”. “Sim, eu sei que você tem filhos, mas nem faço ideia de quantos”. “Milhões. E têm muitos deles doentes por este Brasil afora, sem falar nas centenas de crianças e adultos que morrem sem ter a chance de ser atendidas dignamente”. 
 
“Você disse milhões?”, perguntou a Educação. “Sim, milhões. Por que você acha que estou assim tão debilitada? É exatamente por eu não ter mais força. Meus recursos são poucos e não dá para atender todos ao mesmo tempo, mesmo que eu quisesse. Mas, minha amiga, muito obrigada por sua solidariedade e amizade por querer compartilhar da minha aflição. Realmente, me sinto com minhas pernas engessadas sem poder fazer mais por estes bravos filhos que merecem uma merecida atenção; pois muitos destes milhões se sacrificaram a trabalhar e idosos são mandados para as grandes filas de espera”. 
 
“É, minha amiga, você realmente está muito doente. Mas espere, quem sabe eu não posso te prestar socorro?”, disse a Educação. “É muito simples, amiga. Vou usar de minha riquíssima e experiente sabedoria ortográfica e escrever uma carta para um colega que está um pouco distante da nossa realidade e quem sabe ele pode nos prestar socorro neste momento de extrema urgência. O que você acha desta ideia?”. “A ideia é valiosa. Mas eu já estou cansada de tanta promessa; até porque outros já havia prometido me socorrer, mas até agora nada. Educação, sua vontade em me ajudar é de uma nobreza incontestável. Mas vejo que você também está com problemas. Eu sou médica e a sua aparência também está horrível. Basta apenas olhar em seus olhos, há sangue neles. Deve ter arrebentado uma úlcera de córnea em você”. “Sim, eu estou enferma. Estão me roubando a essência e destruindo os predicativos e valores, para cujo propósito eu nasci. Eu sei que muitos de seus filhos estão se rebelando contra você. Que, ao invés de irem para a sala de aula com livros e cadernos, agora levam armas para cometer crimes, incluindo professores. Sinto que há muita maldade no coração de nossas crianças, jovens e adolescentes”. “Mas, por quê?”. A Educação responde: “A profecia”. “Profecia?” Sim, amiga, talvez você desconheça, mas eu acabei de ler o maior best-seller de todos os tempos, a Bíblia Sagrada. E lá está escrito assim: E por se multiplicar a falta de interesse (amor) e a ganância pelo dinheiro e o egoísmo. Contra estas armas, não há quem resista por tanto tempo. Somente Deus. Então, vamos nos aliar a ele”.