O grande derrotado em Tubarão nestas eleições não foi o deputado Genésio Goulart, mas a aplicação do seu estilo de fazer política na era da televisão. Se as eleições não tivessem sido televisionadas, a diferença de votos talvez não fosse tão grande. Não basta aparecer, é preciso convencer. Dr. Manoel era, basicamente, um desconhecido.

Mas, quando apareceu, o fez com estilo “picolé de chuchu”, que é um estilo de fazer política que tem sido premiado com votos no Brasil (Fogaça, Kassab): estilo sóbrio, mais racional, dotado de dose moderada de sorriso. A campanha televisiva do Dr. Manoel foi administrada por uma equipe competentíssima: forma excelente e conteúdo inteligente (souberam administrar bem as agressões, sobretudo, quando assumiram tons grotescos).

Aquilo que alguns políticos ainda consideram virtude (abraços, beijinhos, carícias até sinceras), tornou-se, também, motivo de rejeição, de enjôo eleitoral. O Sr. Nilton de Campos é sério, quase carrancudo, e ganhou bem as eleições. A era dos beijinhos e sorrisos como recurso eleitoral parece estar chegando ao fim no Brasil. Afinal, mulheres (jovens e anciãs) esperam carinho de namorados e maridos, e não de políticos (que devem produzir projetos convincentes).

Neste ano, ouvi várias pessoas reclamarem do excesso de visibilidade do deputado Genésio em duas procissões tradicionais na cidade. Ele participou do lado de dentro do cordão de isolamento criado pelos escoteiros nas procissões de Corpus Christi e de Nossa Senhora da Piedade. Visibilidade em manifestações públicas de religião pode ser interpretada como devoção, mas, também, como ostentação oportunista para fins eleitorais. Os aduladores do deputado Genésio podem até ficar bravos comigo, mas seus verdadeiros amigos deveriam ajudá-lo a se reciclar.

Penso que o novo prefeito teria tido dificuldade para vencer as eleições se o candidato do PMDB fosse o prof. Maurício da Silva. Provavelmente, teria se saído melhor nas aparições televisivas. Além de saber criar discursos lógicos, com sintaxe coerente, o prof. Maurício poderia pegar carona também no embalo democrata Barack Obama. Aliás, interessante notar que a apresentadora do programa televisivo do dr.

Manoel era (pela imagem que vimos) afro-descendente. A derrota do PMDB em Tubarão começou quando o próprio PMDB – mesmo sabendo que seria uma campanha eleitoral televisiva – trocou prof. Maurício pelo deputado Genésio. Aquilo que pode valer em uma campanha sem televisão não vale em uma campanha eleitoral televisiva. E por razões técnicas!

O engenheiro civil Olávio Falchetti, que foi maduro o suficiente até para brincar com o próprio nome (“Se está sujo, Olávio”), conquistou valiosos créditos políticos. Surpreendente o inesperado quadro “Subida em Palanque com Vassoura”. Bem diferente da ameaça de cadeia publicada na primeira página de um jornal local – que circulou veloz como uma Ferrari naquela sexta-feira quase 13 para o jornalismo municipal – e que produziu revolta e amargor até entre os adversários eleitorais do dr. Manoel.

Continuo minha antiga batalha contra o quociente eleitoral. A culpa pelo excesso de candidatos (quase 100!) é do sistema proporcional. Como seria o voto para vereador caso utilizássemos o sistema majoritário (que usamos para o executivo) também para eleger vereadores? As dez vagas seriam distribuídas no território.

Cada coligação apresentaria um candidato para cada vaga (lógico!). Assim, ao invés de 96, teríamos 30 ou 40 candidatos. Cada distrito escolheria um entre três ou quatro candidatos. Venceria o mais votado em cada distrito eleitoral. Seria eliminado o ultrapassado quociente eleitoral. O sistema distrital seco é muito mais simples e justo para candidatos, eleitores e partidos. Mas ainda insistimos em permanecer com o sistema errado.