Tubarão, a exemplo de tantas outras cidades, possui peculiaridades em diversos aspectos de sua história contemporânea. Nos últimos anos, circunstancialmente, houve um crescimento razoável no modelo estrutural do município. Conforme o censo do IBGE deste ano, o número de pessoas ainda está abaixo da expectativa – não chega os 100 mil habitantes. Motivo de muitas dúvidas por parte das autoridades locais que tinham uma estimativa bem superior.

No cômputo da Amurel, a população aumentou, mas não o esperado. Melhora timidamente a posição regional no quesito retorno de recursos do governo federal, a partir de 2011. Não o suficiente para o efeito progressivo, tampouco ameniza a divisibilidade das lideranças política e futebolística. Este ano, em Tubarão, dois fatos estiveram em evidência e movimentaram os ânimos dos cidadãos.

Um foi a eleição. O outro foi o campeonato especial da segunda divisão de Santa Catarina, em que participaram dois clubes da cidade: o novato Atlético Tubarão e o veterano Hercílio Luz. Em que pese ser uma competição de nível fraco, sem muito interesse, mais frágil ainda foi a participação da dupla tubaronense. Para o desgosto e a indignação de todos não conquistou o objetivo que era passar (pelo menos um deles) à primeira divisão no próximo ano.

Características bem nítidas de falsa noção de cartolas inexperientes que continuam a brincar com uma situação que requer reputação moral, conhecimento e, acima de tudo, absoluto desprendimento. O racha é tão intenso e grotesco que para alguns torcedores a derrota do adversário é mais empolgante e festejada do que a vitória do seu clube. Mas isto não é tudo.

Esta sina retrógrada e lamentável ocorre em outros segmentos. É o caso da política. Tudo é dividido em uma demonstração clarividente de que mais vale atender o desejo pessoal e paixão pelo passado do que optar pelo coletivo moderno. São verdadeiros caciques travestidos de boa fé que impõem, com braços de ferro, ordens medíocres em prejuízo da grande maioria. Esta saga da Cidade Azul, inescrupulosamente, arrasta-se há décadas e parece nunca terminar.

Estas facções de gente ultrapassada com teorias obsoletas precisam ser extintas, sair de cena. Eles emperram, retroagem e sepultam ideias novas. Ninguém tem espaço por conta deste círculo vicioso, deste grupo fechado, que não larga o osso, nem por reza brava. Tubarão é o município polo da região de quase 400 mil habitantes. Quantidade significativa que poderia representar um enorme potencial nos setores econômico, social, cultural e esportivo

Infelizmente esta oportunidade é desperdiçada acintosamente de maneira desequilibrada e irracional. Nas eleições de outubro, como nas anteriores, a representação política diminuiu. A campanha do Voto pelo Sul funcionou mesmo foi em outras regiões. Por aqui, tudo como dantes no quartel de Abrantes. Este poder sem pudor extravagante gera descrédito à Cidade Azul e perdas irreparáveis à Amurel.

Basta fazer um retrospecto dos investimentos realizados e prometidos pelos governos federal e estadual. A duplicação da BR-101: inacabada. O Aeroporto Regional Sul: idem. O Presídio Regional, que está em fase final de construção, já nasce defasado. A Arena Multiuso não passou da fantasia até o momento – e ninguém sabe exatamente ao certo o que ocorre. Em suma: apanhamos mais do que mulher de malandro e continuamos na subalternidade da vida em pleno século 21.

Tudo por simples e insignificância teimosia dos senhores ainda medievais tupiniquins. Voltando ao futebol, se houvesse mutualismo e estruturação de pessoas sensatas, certamente haveria mais inserção, não somente da cidade, mas também regional. Conheço amigos e empresários que já contribuíram muito e hoje estão afastados. Dependendo de convite e um bom diálogo a maioria poderia estar vinculada neste processo de reestruturação da maior sensação do povo: o esporte amador e profissional.

Muitos deles, por falta de opção talvez, possuem cadeira cativa lá no estádio do Criciúma. Que pena! Quem sabe com mais este insucesso, envolvendo ambos os times tubaronenses, os (altivos) atuais dirigentes não se conscientizam deste triste episódio e começam a trocar a paixão pela razão e iniciam aquilo que devia ter ocorrido há anos: a formação de um único clube. Errar é humano. Agora, persistir no erro é intolerável, imperdoável. Enquanto nada muda por aqui, o jeito é torcer para o Imbituba. Dá-lhe Zimba!