Gostaria de expor minha opinião sobre um fato que ocorreu em nossa região e foi publicado no Notisul, o caso do optometrista.
 
Um fato que alarma a população, mas até onde sabemos as classes profissionais, leia-se técnicos, tecnólogos e bacharéis, vivem discutindo quem pode ou não agir no mercado de trabalho.
 
Sou bacharel em contabilidade, onde existe o técnico e até mesmo o tecnólogo, os profissionais bacharéis vivem pressionando o conselho para que os técnicos e os tecnólogos não possam exercer a função como profissionais, somente como auxiliares ou assistentes, pois tiram nossos clientes, cobrando mais barato por serviços com baixa qualidade!
 
Nós, bacharéis que estudamos e pagamos quatro anos de faculdade para ter este título, enquanto os técnicos ou tecnólogos estudam apenas dois, com valor de mensalidade menos que a metade do que pagamos para a universidade.
 
Em meu ver, cada um sabe o lugar que tem no mercado e o que pode ou não fazer com seu título. Acredito que o optometrista, com o título que tinha, não estava agindo de má fé, estando apenas trabalhando no que o seu título dispõe. Em contrapartida, estava “diminuindo” a clientela dos oftalmos da região na parte de consultas de receituários para o uso de óculos. 
 
Para tanto, posso dizer que uso óculos há cinco anos e a minha primeira consulta foi com um oftalmologista muito conceituado em Tubarão, e a sua consulta doeu em meu bolso, pois o mesmo só me colocou em uma máquina onde ia trocando as lentes até a minha visão ficar mais confortável. Nada além disso fez! Então pergunto: se eu, como paciente, tivesse algum problema mais grave além da miopia detectada pelo aparelho trocador de lentes, em que parte do “exame” o médico oftalmo diagnosticaria? Cito ainda que a consulta durou uns 15 minutos e me custou quase R$ 200,00!
 
Dois anos após consultar o oftalmologista, precisei trocar as lentes do meu óculos, pois a miopa se agravou, aumentando de grau. Em referência a uma loja de Capivari de Baixo, soube da consulta de um optometrista, que era mais barata que um oftalmo. Como o nome da profissão não era conhecida e receosa, consultei sobre a profissão no Google, pois é o lugar onde podemos encontrar tudo. Após várias pesquisas, fiz a consulta com o optometrista acusado esta semana de falso médico! Para minha surpresa, ele tinha um aparelho trocador de lentes que ia testando até a minha visão ficar confortável, mediu a pressão ocular, examinou muito detalhadamente, e me receitou uma lente com alguns graus a mais do que já usava. Foi muito atencioso, a consulta durou mais de 15 minutos e o custo foi de R$ 50,00!!
 
Conclusão: ele não trabalhou como um oftalmologista e nenhum momento me fez pensar que era um. Na consulta, me explicou sobre optometria e o seu diploma! Ele não me empurrou para o seu consultório, eu fui até lá por livre e espontânea vontade e sabendo o tipo de profissional que iria encontrar. Acredito que toda a repercussão foi injusta para ele, toda exposição de imagem como se fosse um bandido! Ele estudou, pagou uma universidade e estava trabalhando na profissão que o MEC reconheceu. 
 
Imagino se agora a classe dos contadores resolvesse também entrar com uma ação para não deixarem os técnicos trabalharem como contadores, pois os contabilistas alguns anos atrás tinham o direito de tirar o registro no órgão para trabalhar como o profissional contador. 
 
Pergunto: Os contabilistas que estudaram apenas dois anos estariam então trabalhando ilegal?!?
 
E as outras profissões, inúmeras que posso citar que também não fica claro ao ingressar em um curso onde dizem que você poderá exercer uma certa função, mas com o canudo na mão descobre que o mercado é uma selva e que você terá que disputar o seu espaço ao “sol”.
 
Fica o questionamento, e a minha opinião sobre o fato, não querendo defender ou criticar ninguém ou qualquer classe profissional.
 
Agradeço desde já o espaço onde os leitores podem expressar pôr em prática o direito de liberdade de expressão!