Incrível como as autoridades que possuem poder de decisão agem no famigerado modelo de criar ou até mesmo regulamentar as leis no país. Todo o conjunto de leis existentes no Brasil sofre constantes modificações, normalmente atingindo os cidadãos comuns, deixando inclusive de repreender os principais responsáveis. Um pequeno exemplo está na norma que entrou em vigor há pouco tempo, a Lei Seca, vale aqui lembrar, gerando, por sinal, muita confusão. Era necessário, sim. Porém, esqueceram de incluir obrigações justamente para aqueles que deveriam servir de lição.

Não adianta a justiça censurar com multas pesadas e até prisões temporárias indivíduos infratores quando, na realidade, a grande maioria vai continuar transgredindo as regras elaboradas pelos legisladores e estabelecidas juridicamente. Se não vejamos: a velocidade máxima em algumas rodovias brasileiras pode chegar até 110 km/h, enquanto que a indústria automobilística pode produzir sem nenhuma interferência veículos com possibilidade de atingir até 300 km/h. Fato preponderante para a famosa indústria da multa, que arrecada anualmente milhões de reais aos cofres públicos. E aí, pra onde vai esta dinheirama?

Outra situação intolerante, o cigarro, que é nocivo a saúde, mas a droga é comercializada livremente, apesar de orientação e proibição para menores de idade. Por último, a tolerância zero de bebida alcoólica para quem for dirigir. O motorista sabe do rigor da penalidade, certo? Mas o que dizem os fabricantes desta maldita droga lícita? Qual é a punição para eles? Nenhuma. O governo gasta bilhões de reais por ano para tratar pessoas com doenças graves atingidas pelo tabaco, pelo álcool e outras substâncias que produzem dependência química, todavia, nenhuma medida neste sentido existe para coibir tais práticas cancerígenas infindáveis no país.

Então, caro leitor, infelizmente, somos obrigados a conviver com esta indigesta discrepância de dois pesos e duas medidas. Muitos perguntam até quando isto vai continuar. Obviamente que depende muito de nossa manifestação conjunta. O povo parece ainda não saber que possui inerente força para alterar qualquer situação contrária que existe ao seu redor. Por isso, mesmo respeitando as normas institucionais, mudanças devem ser feitas adequadamente de acordo com as necessidades de cada cidadão, sobretudo com absoluto critério e coerência na hora de formalizar direitos e deveres para todos.