O impasse entre governos e magistério evidencia, com maior contundência, o que todos sabem, mas ninguém, até agora, dispôs-se a resolver: investir mais e melhorar a gestão da educação. Não apenas para resgatar a dignidade do professor, mas também para racionalizar e viabilizar o futuro.

Afirmei em “mais e melhores investimentos na educação”, neste espaço, que para cada centavo não investido no setor, gastam-se sete vezes mais com segurança, saúde, preservação do meio ambiente, desastres naturais e outros. Não é, portanto, pendência de mandatos, mas de estratégia de estado, que quanto mais adia, mais agudos tornam-se os conflitos sociais.

Desnecessário repetir a cantilena da falta de recursos. A destinação de 25% das receitas estaduais e municipais já se mostrou insuficiente para capacitar e melhorar os salários dos professores, as instalações e os equipamentos escolares. “É preciso dinheiro novo na educação, nem que para isto se sacrifiquem setores não tão estratégicos e urgentes como o educacional”, afirmei no mesmo artigo.

O Brasil investiu, em 2009, 5% do PIB. A Unesco recomenda 7%, e a professora Amanda Gurgel, “que empresta sua voz aos colegas”, faz uma cruzada cívica por 10%. Somente um   pacto nacional, que viabilize tal prioridade, livrar-nos-á desta tragédia anunciada. O Plano Nacional de Educação, prestes a ser votado no congresso nacional, será mais uma belíssima carta de boas intenções, que não sairá do papel, sem esta providência.

Por outro lado, nem todo o dinheiro do mundo salva a educação se não forem resolvidos os graves problemas de gestão ou, por que não dizer, de competência e seriedade. O Brasil continua pagando o melhor curso superior para quem pode pagar e negando educação básica de qualidade aos mais pobres. É a forma oficial e  mais refinada de reproduzir as desigualdades sociais. O Ministério da Educação não consegue organizar, sem trapalhadas, um exame nacional (o Enem) e especializou-se em gastar  milhões de reais com livros que contêm erros crassos. Verdadeiras fábulas são aplicadas, sem que se contribua para a aprendizagem dos alunos. Recursos do Fundeb engordam os repasses para outros poderes.

Nas escolas, o que menos se discute é a aprendizagem. Nossos professores são os que mais gastam tempo, chamando atenção dos alunos, segundo o Programa Internacional de Avaliação dos Alunos (Pisa). Dirigentes educacionais, pouco afeitos à área, não implementam, não medem e não cobram o retorno pedagógico dos investimentos. Professores com desempenhos diversos recebem contracheques pequenos e  iguais.

O pedagógico, razão principal da escola, está solto. Há situações de diversos currículos para uma mesma série e dificilmente são cumpridos. O material didático e a metodologia utilizada, muitas vezes, é conflitante com o currículo e com a proposta educacional. As vítimas são, inevitavelmente, os alunos, últimos na fila do Pisa, e o futuro. É preciso reverter e sabe-se o que fazer. Mas será feito por estadistas comprometidos com a próxima geração, jamais por   míopes e demagogos que só pensam na próxima eleição.