Vinte de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. Nesta data, incluída no calendário oficial brasileiro, rememoram-se os 316 anos do assassinato de Zumbi dos Palmares, maior líder das resistências contra a escravidão, por meio dos Quilombos. Em todo o Brasil, serão feitos debates e manifestações e, em 757 municípios e nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro é feriado.
 
Este é um ano repleto de comemorações: 150 anos do nascimento de Cruz e Souza, patrono da Academia Catarinense de Letras e maior poeta simbolista do Brasil; 110 anos do nascimento de Antonieta de Barros, primeira deputada estadual catarinense; dez anos da Declaração e Programa de Ação de Durban, aprovados por consenso na Conferência Mundial contra o Racismo, em 2001, e a ONU o dedica aos afrodescendentes.
 
Em Tubarão, ocorrerá extenso evento, organizado pelo Movimento de Conscientização Negra Tubaronense (Mocnetu), pela Pastoral Diocesana Afro-Brasileira Maria Cândida e pela câmara de vereadores. A região se encontrará no 19º Encontro Afro-Brasileiro, em Orleans. Sob responsabilidade da pastoral da Paróquia Santa Otília, no salão de festas do Morro da Santinha, será cumprida ampla programação: 8 horas, recepção e café para os visitantes – espera-se cerca de dois mil – ; 9h30min, palestra intitulada “O futuro será melhor, se for para todos”, com o mestre em educação Maurício da Silva e com a assistente social Almerinda Izé Aguiar. Às 10h30min, santa missa celebrada com os costumes africanos e participação das pastorais. Ao meio-dia, almoço e, às 14 horas, apresentam-se grupos de dança que transportarão a mãe África para aquele local. Às 17 horas, escolhe-se o local para o “Zumbi-afro 2012” e procede-se ao encerramento.      
 
São maneiras de combater todas as formas de intolerância e de discriminação, principalmente as causadas pela cor da pele, que depreciam e excluem, como reconhecem 63,7% dos brasileiros entrevistados pelo IBGE. Em especial, no mercado de trabalho (71%), com a justiça e com a polícia (68,3%).
 
Embora se registrem evoluções (diminuiu em 31% a diferença de renda comparada à dos  brancos, entre 1995 e 2005), trabalhadores negros com a mesma qualificação, recebem 1/3 menos, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A meta, segundo Navi PillaY – alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, é construir ambiente “de respeito e promoção da igualdade, da justiça e da não discriminação”. 
 
Esta luta deveria ser universal ou de quantos almejem um mundo de paz e prosperidade para todos. Afinal, “a paz é fruto da justiça” (campanha da fraternidade de 2009) e “A inclusão é essencial para o crescimento sustentado” (Economista Fernando Veloso, pesquisador da FGV). Ou seja, o mundo será melhor se for para todos.  “Os protestos pelo mundo expressam a preocupação diante do maior poder nas mãos das elites econômicas  e políticas” (Nouriel Roubini – economista norte-americano que previu a crise de 2008). Os que lucram com a desigualdade, na verdade, não têm sossego. Vivem sempre à espreita e gastam horrores com segurança.
 
No Brasil, busca-se reescrever a história via: a) resgate, exposição, vivência das raízes e contribuições africanas, submersas com o intuito de dominar permanentemente as consciências; b)  educação básica e saúde de qualidade para todos; c) encaminhamento à justiça dos casos de racismo e, as tantas políticas públicas, em curso ou não.
 
Um dia, ainda conquistaremos o ideal de Martin Luther King: Viveremos num mundo onde “as pessoas serão avaliadas pelo caráter e não pela cor da pele”. Condição para que se tenha, reforça-se, paz e prosperidade para todo.