Vinte de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. Uma homenagem a Zumbi dos Palmares, líder negro assassinado em 1695, por comandar, através dos quilombos, a maior e mais bem organizada resistência à escravidão no Brasil.
Neste dia, comemorado informalmente desde a década de 60 e legalizado em 2003, ocorrem manifestações, debates, palestras e homenagens em diversas partes do Brasil, sendo que em 255 municípios é feriado, como é o caso do Rio de Janeiro.

Estas comemorações objetivam intensificar a caminhada pela libertação do preconceito, que ainda exclui os afro-descendentes, através do (a): luta por melhor qualidade de ensino e melhor atendimento na saúde, para todos; b) encaminhamento à justiça dos atos de racismo; c) contraponto entre a “liberdade dada” pela Princesa Isabel no dia 13 de maio de 1888, na versão oficial, que paternaliza e acomoda, e a liberdade conquistada – que confere autonomia e impulsiona – com a vida de tantos mártires, com a campanha abolicionista, e principalmente, pela conjuntura econômica (revolução industrial) que exigia mercado consumidor, impossível para os escravos porque não tinham renda; d) resgate da cultura afro, incorporada nos costumes hodiernos da população brasileira, mas forçadamente sincretizada.

A verdade é que, passados 313 anos da morte de Zumbi, 120 anos da “libertação” e 119 anos da Proclamação da República (poder do povo), a luta por uma sociedade mais justa continua. Afinal, o Brasil de dimensões continentais, de riquezas naturais exuberantes, e agora do bolsa família e da dívida externa paga, continua sendo um dos países mais desiguais do mundo, com destaque para os homens e mulheres negras que continuam majoritariamente na base da pirâmide social.

Barack Obama, com certeza, estará presente nestas comemorações. Ao ser eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, – maior potência do mundo, que após a escravidão institucionalizou a segregação e o ódio racial, – simboliza que é possível, a) as pessoas serem avaliadas pelo caráter e não pela cor da pele, como conclamou Martin Lutherking Jr., e, b)a mobilidade e a justiça social, razão maior da luta de Zumbi dos Palmares, Nelson Mandela, e tantos outros.