Lamentável. Mais daqui, mais dali, seguimos evoluindo em círculo. Incrível como a mesma humanidade que se diz racional e avançada, desaprende com o que aprende. E dê-lhe ‘correr atrás da própria cola’. Experienciar/experimentar faz parte do aprendizado. Pelo visto, exceto, com alguns que se dizem ‘humanos’. 

Outrora, experienciamos andar e chegamos, muitas vezes, a cair sobre as próprias pernas. Faz (e fez) parte. Houve um tempo em que a percepção falou mais alto e deixamos as mãos livres para o cérebro se desenvolver e pensar. Há milhares de anos, aprendemos, pela experiência, que batucar e emitir sons coordenados não eram meros artifícios de luxo, mas condição de sobrevivência e de convívio social.

Depois, instintivamente (ou não), descobrirmos nossas competências e habilidades. E veio o fogo, o tacape, outras ferramentas e daí por diante; passamos a viver em aldeias e acordamos sobre ‘quem manda e quem obedece’. Foi (e é) assim: relevando para (con)viver em sociedade. 

Num tempo, experienciamos formas de governo, de comércio, de informar e aprendemos a estratégica, afinando as peças para o jogo do poder. Experienciamos a pólvora e aprendemos o gosto amargo da guerra. Experienciamos, experienciamos, e…?  

Impossível silenciar diante da falência e/ou do esgotamento do modelo de sociedade que insistimos em levar adiante. Exemplos borbulham por aí, das mais simples às complexas atitudes, no individual ao midiático.
 
No século fastfood, tolerância não tem espaço. Cessam-se vidas por banalidades; discutem-se limites entre liberdades e libertinagens; tente explicar, por exemplo, para alguém o que é bom senso. Coerência é estratégia de discurso, enquanto obrigado, com licença e por favor viraram léxicos de dicionários antiquados. 

Interessante: caminhamos para o novo e ao mesmo tempo um velho lugar comum. Infelizmente, nossos triunfos têm relação com vaidade, orgulho e egoísmo. Torço para que nossas experiências, ao menos, não nos desiludam tanto. Conquistar o poder, pe(n)rdurar-se nele para ver crescer uma clientela não significa vencer e alcançar a vitória. Verdades devem ser respeitadas, cada qual com os seus fiéis. Há verdade nas religiões, nos partidos políticos; há verdade na consonância e na dissonância; há verdade no diálogo; desde que haja respeito. Verdades, respeito e tolerância se complementam. 

Façamos, lutemos juntos, por um novo modelo societal em que inteligência e política (nos sentidos stricto dos termos) possam convergir de fato. Que nossas leituras, atitudes e ações possam estar focadas na utilidade, para alguém ou ‘alguéns’.

Difícil é prosseguir crendo que, um dia, reuniremos os povos numa assembleia universal. Ledo engano. Respeito, verdades e tolerância são fundamentos, princípios, para a coexistência entre diferentes ideias e orientações.