A companhia Siderúrgica Nacional foi a primeira empresa de grande status a se instalar em Capivari de Baixo, antes pertencente a Tubarão. O seu projeto e início de construção datam de 1941, durante o governo de Getúlio Vargas, mas somente iniciado seu funcionamento em 1945.
 
Mas por que este local, onde hoje só restam ruínas do que foi um dia uma grande empresa, foi escolhido para a instalação da CSN (empresa do governo federal)? As respostas são muitas, dentre elas, estão: a quantidade de carvão mineral existente no sul catarinense, o nível elevado de água do Rio Tubarão junto com o Rio Capivari e também por ficar nas proximidades da Ferrovia Tereza Cristina, que transportava todo o material aos portos de embarque que se localizavam em Imbituba e Laguna. Ou seja, o lugar não foi escolhido aleatoriamente, por detrás dele havia toda uma questão para facilitar o funcionamento da empresa.
 
Capivari, que era uma área agrícola, começou a se tornar um canteiro industrial, uma vez que vieram dezenas de pessoas de diferentes regiões para trabalhar na CSN, o que começou a influenciar decisivamente no desenvolvimento urbano, social, econômico e cultural do local. Salários bons eram oferecidos aos funcionários, o que atraiu e permitiu criar melhor condição de vida às pessoas, que antes dependiam da agricultura para sobreviver, e também contribuiu para o desenvolvimento e crescimento do comércio local. Eram oferecidos também assistência médica, odontológica, convênio com hospital, farmácias, supermercados, armazém, açougue, inclusive ajuda para moradia. Além do que as condições de trabalho seguiam todas as legislações da época, dando direitos e suporte aos trabalhadores.
 
Segundo Joceli Medeiros da Silva, 76 anos, morador da cidade e funcionário durante 27 anos da CSN, a atual cidade de Capivari de Baixo era como se fosse um sítio, onde todos dependiam tão somente da agricultura para a sobrevivência.
 
Depois da construção é que foi aumentando. Ele lembra ainda o grande impacto que teve para as pessoas e também para o comércio em geral quando a siderúrgica fechou, porque além de muitas famílias tirarem seu sustento dela, outras empresas de pequeno porte, as chamadas terceirizadas também dependiam do funcionamento da Siderúrgica.
 
Enfim, todo esse processo de construção e de funcionamento da Companhia Siderúrgica Nacional na nossa região ajudou decisivamente Capivari de Baixo a se tornar mais tarde um município, no ano de 1992. Hoje, em 2011, o município de
 
Capivari conta com um considerável parque industrial, através do funcionamento do Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda (Tractebel Energia) e é conhecida como a Capital Termoelétrica da América Latina.
 
Mas afinal, o que restou da CSN, além das histórias que ela deixou desde que foi desativada na década de 90? Somente suas grandes construções deixadas de lado. É lamentável quando se olha para todos aqueles prédios sendo lentamente destruídos com o tempo, sem nenhuma utilização, exceto alguns, que atualmente funciona a prefeitura local. 
 
É uma pena que histórias de algum tempo atrás, e que ajudou basicamente a formar um município seja esquecida com várias construções abandonadas.