Recentemente, eu tive o prazer de encontrar um ex-prefeito que administrou certo município por dois mandatos consecutivos. Vítima de uma maquiavélica trama para tirá-lo da gerência do executivo, não voltou mais para o cenário político e à vida pública. E muito menos permaneceu no partido em que estava filiado durante décadas.

Em certo momento, fiz a seguinte pergunta agora ao cidadão e empresário: “o senhor não nutre mais a vontade de participar de outra eleição e voltar para a vida pública e voltar a defender com honestidade os interesses do município, onde reside e do povo que o respeita?”. Respondeu-me ele: no momento não. Até poderia, mas é muito diferente hoje, pois infiltrou-se no seio da política de hoje uma mistura de gente; uma espécie de praga conhecida como corrupção. E, com a entrada da corrupção, vieram os corruptos. Eles são como uma espécie de vampiros que assim como eles têm sede de sangue; estes têm sede pelo dinheiro público que vem das mãos calejadas do humilde trabalhador e contribuinte.

Neste jogo pelo poder e pelos interesses particulares, eles não permitem que prefeito algum faça uma grande administração pública. A política honesta de ontem distanciou-se muito da política mesquinha e podre de hoje. Há muitos homens públicos, que se disfarça como sendo amigos do povo, mas que na verdade são os verdadeiros inimigos do estado. Enquanto existem outros que se escondem sob os púlpitos das igrejas, revestidos de peles de cordeiro, mas que na verdade também são lobos devoradores. E existe também a casta dos mais sutis e refinados, que, além de desviar milhões do dinheiro dos cofres públicos, são protegidos por certas ordens que auto intitulam de “religiosos”, mas que na verdade também são covis de salteadores.

Toda esta declaração vinda de um ex-prefeito de um empresário, advogado, foi o suficiente para eu ver quanto um homem de honra faz falta nos círculos políticos atualmente. Por isso, resolvi escrever e desabafar um pouco através das palavras sobre este tema muito recorrente: corrupção e política. Não pretendo, no entanto, me ater ao discurso padrão contra os corruptos pop stars do momento. Minha ânsia por desabafo vai mais fundo, na raiz do que seria de fato “o ser corrupto”. É que para mim é tão inconcebível a ideia de utilizar dinheiro que não é meu para fins pessoais que eu acabo por não entender o que se passa na cabeça dessas pessoas que são verdadeiras corruptas.

A palavra corrupção vem do latim e significa ato ou efeito de corromper, além de podridão. O verbo corromper, por sua vez, logicamente também vem do latim, e significa tornar podre, estragar e subornar. Estes verbetes não poderiam estar mais interligados um ao outro, além de mostrarem claramente que, independente do número de zeros à direita, se são sete mil ou sete milhões de reais, pertencem a outras pessoas. Não importa! É uma ação corrupta, podre, de quem se utiliza disso para beneficiar a si mesmo.

Inclusive, não existe diferença alguma entre o político que desvia dinheiro que serviria para melhorar o atendimento nos hospitais, melhorar as escolas públicas, a segurança; e o cara a quem se confiou o dinheiro de um movimento social que tenta a todo custo se erguer com autonomia financeira partidária ou ideológica a serviço de uma sociedade mais justa. São duas formas nojentas de se demonstrar o quanto o ser humano pode ser egoísta, até mesmo aqueles a quem a gente dá um voto de confiança, nas urnas ou na vida.

E falo em “egoísmo” porque, para mim, não existe outra justificativa para a corrupção. A sociedade capitalista está tão afundada em seu individualismo que é mais fácil as pessoas pensarem em seu próprio “bem” primeiro talvez, mais tarde, pensarem nos outros. Além disso, nunca se utilizam desse dinheiro para comprar remédio, comida, sei lá, dar uma de Robin Hood. É sempre para consumo exagerado, sempre em nome da ganância, às custas do povo ou dos movimentos sociais (resguardadas as diferenças em cada caso).

Não quero, contudo, corroborar com uma das máximas do capitalismo e individualismo, afirmando que não se pode mais confiar em ninguém, como se ouve por aí. Pelo contrário, esse é um chamado para o combate à corrupção dentro e fora das vias dos governos em geral. Combate-se corrupção nas ações do dia-a-dia, inclusive punindo-se os verdadeiros responsáveis para que eles sejam exemplos de como não se deve agir.