“Se Santos ganhar, Uribe vigiará cada passo de seu governo, criticando com liberdade o que não for de seu agrado”, disse a colunista do jornal El Tiempo María Jimena Duzán.

A abstenção dos eleitores nas urnas colombianas foi uma das mais altas de sua história, ultrapassando os 55%. Apenas 30% da população promoveu a eleição do ex-ministro da defesa, Juan Manuel Santos, que obteve 69% desses votos dados. Somou-se pouco mais de nove milhões de votos. E consolidando o modelo vigente na Colômbia desde 2002. O candidato derrotado, Antanas Mockus, deixou sua mensagem de como será sua oposição: “Essa relação resume-se em duas palavras, independência e deliberação. Apoiaremos o bom e nos oporemos ao que for mau”.

Doravante, para muitos é uma “vitória do uribismo”. Álvaro Uribe foi eleito em 2002 com 53% dos votos e reeleito em 2006 com 62% dos votos. Santos ultrapassa essa marca, embora que seu resultado é um claro reconhecimento do legado de Uribe. Dessa forma, numa situação desse porte, tudo leva a crer que quem mandará não é o sucessor. Como também, necessariamente, isso pode não ocorrer. Por conseguinte, o modelo de governo obterá continuidade com uma cabeça diferente. E aí mora o perigo. Pois, para a maioria, será um governo confuso, não saberão realmente quem está mandando ou até mesmo quem os cidadãos estão obedecendo.

E, quando comecei minha conversa, utilizando uma frase de Duzán, propus perguntarmos se é positivo ou não, a democracia oferecer um herdeiro. Um dado relevante para vitória de Santos é que Uribe pode deixar o governo com 70% de popularidade, e ao uso da máquina do estado, em especial dos votos de eleitores beneficiários de programas sócias do atual governo. Esses dados proporcionam excelentes condições para criar um herdeiro. Mesmo que numa situação ele não seja competente. Contudo, permanecer na sombra durante as eleições poderão gerar votos. Entretanto, o desafio é governar.

Uma democracia consolidada poderá sem dúvida promover herdeiros. Como também uma democracia usurpada poderá eleger herdeiros e até mesmo pessoas imperitas no assunto. Basta saber se o indicado é o melhor ou se há interesse por de trás. Quando na situação da Colômbia, o uribismo está geneticamente no seu candidato, logo, cria-se desconfiança. É normal. Caberá ao Santos já eleito provar para seu país um governo sem as mãos de Uribe e para democracia que é possível de existir um governo, nessas condições.