Matheus Madeira
Jornalista

Tubarão perdeu na última quinta-feira um grande ícone de firmeza. Vítima de um trágico acidente, Claudemir da Rosa deixou aos seus familiares, amigos e companheiros um legado de posicionamento convicto, mesmo em situações adversas. Como policial militar, agir à esquerda nunca foi o caminho mais confortável. Mas Claudemir sempre teve clara a bandeira que carregava. Ainda mais nos últimos anos, quando foi um dos articuladores de uma frente de militares em defesa da democracia. Ele não era de esperar pelos outros.

Na relação corporativa, essa indignação também foi especialmente notada. O sargento Claudemir teve a ousadia de defender seus colegas em momentos de tensão com o comando. Coragem nunca lhe faltou, definitivamente. Nem mesmo a firmeza que tanto gostava de demonstrar também nos campos de futebol, como um defensor que impunha respeito a qualquer ataque.

Firme, mas sem perder a ternura. Em tempos de exaltação da brutalidade, seu jeito doce e gentil era a marca registrada de um catequista atencioso e avô que não perdia oportunidade de tirar fotos com o neto. Tinha ainda particular disposição de batalhar pela participação feminina na política. Como vereador, apresentou o projeto de lei que instituiu a Semana Municipal da Mulher em Tubarão.

Claudemir teve a coragem de defender ideias de esquerda em um meio conservador; teve a coragem de ser candidato a deputado em um cenário especialmente adverso por sua condição de militar; teve a coragem de ser presidente do PT em um momento de reconstrução. Não era de deixar as tarefas para depois e partiu simbolicamente, desempenhando o trabalho comunitário que foi marca de toda uma vida.

Advogado, cursava o primeiro semestre de Letras na Unisul. Era inquieto também na busca de formação e parecia sempre ter objetivos a buscar. Partiu, mas deixou lições e reflexões sobre firmeza e ternura. Claudemir: presente!