Corrupção e política são duas palavras que transitam em dois mundos: dos eleitores e dos eleitos. Embora tendo acompanhado nos últimos anos, com assiduidade, o acasalamento da política e da corrupção, ambas constatamos que são bem antigas. Portanto, não queremos dizer que apenas o atual governo é corrupto. A história mostra que, com o suicídio romano de Getúlio Vargas, assegurou-se o legalismo das instituições diante a injustiça estrutural da ordem pública aparente. Meio século depois, o abuso de dinheiro e vantagens deu a Collor o impeachment. Enquanto o atual presidente da república consolida o pensamento de quem o reelegeu, não se importa com política. Isso porque a depravação administrativa não sensibilizou a nação democrática.

Recentemente, uma pesquisa mostra que 17 milhões de brasileiros venderam o seu voto, e isso deve soar como um dado interessante, já que estamos acostumados a atirar pedras em telhado alheio. Isso é fato. Dado que críticos há aos montes em cada esquina, sobretudo em se tratando de política, a realidade nua e crua das ruas é que, apesar da aparente aura de “pureza” em que nos colocamos no exercício de julgar, esquecemos que a mal falada classe política o é a melhor das hipóteses, uma amostragem dos que nela depositaram seu voto.

Todos somos corruptos então? Evidente que não. Mas o somos na medida em que ou nos vendemos ou simplesmente nos recusamos pactuar com a corrupção. Isso por gosto, falta de tempo, vontade, etc. No exercício da política, somos, no mínimo, cúmplices para o bem ou para o mal do que fazem nossos representantes. Nenhum cidadão está esquive dessa responsabilidade. Se há senadores corruptos, estes lá estão pelo voto. Deputados, governadores, prefeitos e vereadores. O que nos motiva o contrário é tão e somente, na maioria dos casos, nosso único e inalienável interesse.

Nossa sociedade chegou a tal ponto de decadência moral que frequentemente honramos pessoas que, por exemplo, praticam gestos como devolver uma carteira com dinheiro esquecida ao dono. Ora isso deve, ao menos deveria, ser algo comum, não digno de destaque. Mas é pela carência de cidadãos dispostos à honestidade que enfrentamos esse tipo de situação em que alguém é louvado por ser, vejam só, honesto, um dever, não mérito. Algo está errado, muito errado, e não será o topo da pirâmide que vai mudar a situação que lhe é favorável. Só um tolo acreditaria nisso.

A solução parte do povo. E povo não se trata dessa visão de massa, quase sempre manipulável, mas sim de um conjunto de indivíduos capacitados, esclarecidos, a ponto de verem-se como partes constitutivas de um sistema que encontra fundamento nessa consciência, de nossa cidadania. De que a democracia realiza-se no momento em que nos vemos como ativos no processo de tomada de decisões, nos projetos de futuro. Isso demanda uma educação de mais qualidade, de instituições mais fortes, do cumprimento da lei. Nada do jeitinho, das facilidades, dos favores escusos, do fisiologismo.

Depreendemos isso a partir das novas alterações na lei eleitoral, que autoriza o uso de blogs, sites e redes sociais nas campanhas, assim como e-mail e mensagens de texto em celulares. A explicação desse avanço se dá pela contratação de Ben Self, feita pelo PT. Sefl foi o estrategista de Barack Obama nas eleições do EUA. A democracia precisa abrir os olhos, senão, os candidatos vão se brigar pelos classificados de jornais, onde os eleitores estarão anunciando seus votos como, qualquer outro produto. E você, deseja esse desfecho?