O conceito de “cidade dos homens” de Santo Agostinho quer indicar o conjunto de todas as instituições sociais: a família, a escola, a igreja, o estado ou outras instituições quaisquer que construam a sociedade humana. Utilizo este conceito inspirado num texto de Sérgio da Costa Ramos, intitulado “A Cidade de Deus”, texto no qual pactua com os jogos olímpicos, tema que está gerando tanta euforia, como também divergências, devido à falta de escolas, moradias, transportes públicos, hospitais, comida, saneamento básico, luz elétrica e ainda, devido à realidade das drogas e dos tiroteios entre outras. Contudo vamos investir quase trinta bilhões de reais somente no Rio 2016.

A herança do “cara” que, com a vinda das olimpíadas para o Rio, derrotou o Obama – o qual vem se transformando em desilusão americana e, como diz Warren Buffett, ameaça transformar os Estados Unidos numa “república de bananas” -, está sendo a Copa das Confederações, a Copa do Mundo, a Olimpíadas e Para-Olimpíadas, trata-se da velha política romana do pão e circo (panem et circenses). Onde os romanos promoviam comida e diversão em detrimento da liberdade, querendo acabar com os conflitos e assegurar a “pax romana”. Se agora são sorrisos depois virá a conta nos impostos sobre produtos e naquelas siglas todas disfarçadas.

Diante de tanta euforia, apagaram-se de nossa memória as notícias de Sarney, ou ainda onde fica Tegucigalpa. Quem sabe-se, na eventualidade da imprensa retomar estes assuntos, não pensaríamos: “não tem nada melhor para mostrar?”. É como acontece no início de cada nova novela global: nem lembramos mais da que apenas terminou. Assim, nas expectativas das Olimpíadas nos distrairemos pensando que surgirão empregos, turismo, heróis, uma nova cidade e um novo país com pessoas morando condignamente. Como diria Alberto Murray Neto, “escolha uma bela praia e espere deitado. Para não se cansar”.
Parabéns ao Rio de Janeiro e àqueles que se empenharam por este momento histórico. Procuro pensar na boa intenção de todas estas, visto que, no dia da indicação um economista do Citigroup dizia “o Brasil está chegando”. Que Brasil? E chegando onde?

Quem sabe esses eventos todos que culminarão em 2016 também chamem a atenção para verdadeira realidade da nação, que espera por dignidade e melhores condições de vida. Quem sabe não servirão para acobertar partidários e promover o assistencialismo eleitoral.
Então, chega de festa, “oba-oba”, e vamos ao trabalho, para que no pós-Olimpíadas não tenhamos que dizer como proferia Carlos Drummond de Andrade: “E agora, José? A festa acabou…“.
Cidade de Deus? Sim! “E bonita por natureza, mas que beleza!”. Mas também “Cidade dos homens”, porque se Deus criou e ninguém há de descordar que a fez muito bem feita, da nossa parte ainda há muito que ser feito…