Sr. Gary Kennedy, sr. Alexandre Augusto Pereira Tavares:
Eu vendi a Campeiro há três anos para um grupo americano representado pelo sr. Alexandre Augusto Pereira Tavarez. Vendi com dor no coração, pois precisava de dinheiro para honrar as dívidas da Caité Textil, empresa que sangrou os cofres da nossa família durante 12 anos. Evitamos o fechamento da Caité estes anos todos porque não queríamos desempregar 230 funcionários, uma coisa que as multinacionais fazem em um piscar de olhos a gente levou 12 anos.

Nossa meta tornou-se então vender a Campeiro, pagar todas as dívidas da Caité e, com o que sobrasse, iríamos fundar uma construtora em Tubarão.
Infelizmente, nosso plano naufragou com a decisão do sr. Alexandre em parar de nos pagar.
Ele disse que, por causa de uma multa contra a Campeiro, que foi dada depois que vendemos a empresa, iria depositar o dinheiro em juízo por força de contrato. Coisa que ele não fez.
Tentei por mais de dois anos fazer um acordo com o sr. Alexandre, mesmo não concordando com a decisão dele e cheguei a oferecer todo o patrimônio da Caité em garantia pela multa, patrimônio este avaliado em mais de duas vezes o valor da multa. Multa esta que estamos recorrendo na esfera administrativa da Receita Federal.

Para continuar pagando os credores e não perder o parcelamento da dívida da Caité, vendi minha casa, carros e terrenos da futura construtora na esperança de chegar a um acordo com o sr. Alexandre, acordo este que não aconteceu. Estou também tentando vender o patrimônio da Caité para honrar suas últimas dívidas.
Um ano depois, o sr. Alexandre tentou vender a Campeiro de volta para mim e fizemos uma auditoria. Entregamos a Campeiro para ele com uma dívida de R$ 7 milhões, dívida baixa em relação ao tamanho da empresa e nossos levantamentos apontavam que em um ano a dívida tinha pulado para 20 milhões.

Levamos um susto e entramos com um pedido na justiça para que a conta onde ele alegava depositar meu dinheiro fosse bloqueada. Dissemos ao juiz que o endividamento da empresa tinha crescido em demasia e que eu corria o risco de ser lesado, pois o contrato não estava sendo cumprido, ou seja, ele não estava depositando o dinheiro em juízo.
O juiz de Tubarão negou nosso pedido alegando que a Campeiro estava em ótimas condições financeiras e que a conta não precisava ser bloqueada. Recorremos a Florianópolis e, um ano depois, a conta foi bloqueada, era para ter R$ 2,5 milhões, tinha R$ 813,00. Dinheiro este que seria usado para quitar as últimas dívidas da Caité e fundar a construtora.

Mas, mesmo depois de tudo isto, ainda tenho esperanças; mesmo quando algumas pessoas insistem em dizer que a situação da Campeiro é irreversível por causa de sua dívida milionária.
Como podemos afirmar com tanta certeza o fim da Campeiro sem termos uma auditoria detalhada dos números para termos certeza da real natureza de suas obrigações?
Suspeita-se que boa parte desta dívida seja para com a LDS, empresa suspeita de ter desviado o dinheiro da Campeiro, boa parte é de longo prazo, e talvez muitas dívidas sejam para empresas laranjas usadas para desviar dinheiro da Campeiro. Enfim, existem muitos detalhes que ainda não estão claros.

Meu apelo ao sr. Gary é que o sr. entre na justiça com um pedido de recuperação judicial para que a Campeiro ganhe 180 dias para fazer um plano de recuperação e, com o apoio e condução de um juiz, uma auditoria detalhada na empresa. Com estes números jogados à luz, poderia-se reunir os credores para achar uma solução.
Com o apoio do juiz responsável, poderia-se procurar um comprador, pois o mesmo teria a oportunidade de fazer um acordo com os credores, quem não estaria disposto a dar um bom desconto no que tem a receber diante da perspectiva de perder tudo?
Existe também a possibilidade de os credores transformarem a Campeiro em uma cooperativa…

Não é interessante a ninguém a não ser seus concorrentes a quebra da empresa, nem os bancos credores famosos pela ganância querem a falência da empresa.
A Campeiro não merece a falência.
A Campeiro foi fundada pelo meu pai, sr. Argemiro Antonio Nunes, e seu amigo e sócio Gelson Martins, há mais de 20 anos e foi uma empresa exemplar até então. Ela resistiu a crises, planos de governo, inflação alta, quedas de preço de arroz e a concorrência desleal.
A Campeiro ganhou o respeito das duas maiores entidades sociais do Brasil, Instituto Ayrton Senna e Federação da Apaes lançando o Arroz Campeiro Senninha e o Arroz Festeiro Amigos da Apae.
A Campeiro virou sobrenome de muita gente nestes anos todos, o fulano da Campeiro, a ciclana da Campeiro.

São 130 funcionários que ficaram sem emprego e vários produtores que estão sem dinheiro para quitar suas dívidas.
O impacto na região e na vida das pessoas é muito maior do que qualquer um pode imaginar. Nós não podemos desistir da Campeiro, não sem uma última tentativa na recuperação judicial.
Faço aqui também um apelo ao sr. Alexandre Augusto Pereira Tavarez para que reconheça seus supostos erros e faça a coisa certa, devolva o dinheiro que supostamente tirou da Campeiro. Ser odiado por toda uma cidade é um carma muito grande para se carregar por uma vida inteira, pense nos seus filhos, você não gostaria que eles sentissem orgulho de você?

Que eles pudessem dizer, meu pai cometeu um erro, arrependeu-se e corrigiu o erro da melhor maneira possível. De que vale todo o dinheiro do mundo se você não tem amigos ao seu lado nem paz de espírito e nem a admiração da sua família?
Peço a todos que lerem esta carta aberta que entupam a caixa de entrada de e-mail do sr. Gary e do sr. Alexandre com emails com esta mensagem: gary@remedymd.com: Sr. Gary, faça a coisa certa, mantenha a Campeiro viva!; alexandretavares@hotmail.com: sr. Alexandre, faça a coisa certa, mantenha a Campeiro viva!