Talvez não seja do conhecimento de todos, mas no dia 10/05, por volta das 11h30min, um cachorro da raça boxer foi socorrido por estudantes da 6ª fase do curso de medicina da Unisul, nas proximidades do Hospital Nossa Senhora da Conceição. O mesmo portava uma corrente enferrujada em volta de seu pescoço, causando-lhe uma lesão bastante séria.
 
O boxer, além de ter ferimentos profundos em volta do pescoço, estava muito desnutrido e mal cuidado. A idade dele é de aproximadamente dois anos, segundo a veterinária que o recolheu para tratar os ferimentos.
 
No local do acontecimento, muitas pessoas passavam e paravam para olhar e comentavam sobre a crueldade cometida contra o indefeso cão. A maioria das pessoas fotografava, comentava em voz alta, tentando tomar alguma providência e deixando o local manifestando indignação.
 
Observando tudo de perto, também tentei ligar para um veterinário que conheço, mas um dos estudantes obteve sucesso primeiro.
 
A veterinária chegou ao local após uns dez minutos, depois de saber do caso em questão, e transportou o animal à sua clínica. Um dos estudantes de medicina ficou como responsável pelo boxer, na falta de um dono legítimo.
 
Logo em seguida, me identifiquei aos estudantes de medicina, anotando o telefone daquele que ficou como responsável, combinando custearmos as despesas da veterinária junto com os demais estudantes que lá se encontravam.
 
Uma jovem que também fotografou o cão disse que mandaria a foto a um dos jornais que circulam na cidade pedindo que publicassem uma matéria divulgando o ocorrido.
 
Chegando ao meu trabalho, resolvi tomar as minhas providências. Através do Facebook da Clínica de Psicologia onde trabalho como recepcionista, informei à ONG Movimenta-Cão o que havia presenciado e enviei foto do boxer. Em seguida, a
 
ONG divulga o fato no Facebook deles e dezenas de “curtir” e comentários surgiram. Entre os comentários, muitos estavam indignados com o crime que havia ocorrido e esperam que alguém tomasse providências junto à polícia. 
 
Continuando as providências, fiz contato com um dos jornais da cidade e pedi que se possível fizessem a matéria, pois achei que o fato era marcante e deveria ser divulgado à população em geral para que não ficasse restrito ao Facebook.
 
No decorrer da tarde, recebi contato telefônico da jornalista, que pediu os dados e no dia seguinte a nota estava publicada.
 
Para minha surpresa, um segundo jornal também publicou a matéria dando mais destaque com foto do boxer publicada na capa. Achei ótimo.
 
Ainda assim, não fiquei satisfeita por completo. Comecei a tomar outras providências. 
 
Próxima providência? Falar com o delegado de polícia. Fiz o contato via telefone e o mesmo já sabia do fato ocorrido, mas iria procurar se informar melhor. Eu, na qualidade de cidadã e como policial civil aposentada, seria a comunicante dos fatos no BO e assim o fiz.
 
Na Delegacia de Trânsito e Crimes Ambientais, fui informada que um Termo Circunstanciado será aberto, que um dos estudantes de medicina e a veterinária que citei serão chamados, assim como eu, para darmos nosso depoimento. Fui ainda informada que o delegado que conduzirá o caso irá tomar todas as providências necessárias para identificar o(s) autor(es) do crime em questão.
 
Finalizando minha carta, gostaria de esclarecer à população tubanorense e a todos que tenham acesso a essa carta que existe um serviço de Disque Denúncia na Polícia Civil – 181 -, que a ligação é gratuita e que a denúncia pode ser anônima, mas que, ao relatarem qualquer denúncia, deverão fornecer o maior número de informações detalhadas, tais como nome do autor e endereço correto, para que a polícia possa fazer o seu trabalho com sucesso. 
 
Quanto mais denúncias forem feitas a respeito desse tipo de crime e de outros também, mais veremos a justiça sendo feita.
 
Não adianta nada as pessoas saberem de fatos como o do boxer, por exemplo, ficarem revoltados, indignados e não tomarem nenhum tipo de atitude para evitar que isso se repita.
 
Então, se você, caro leitor, fizer a sua parte como eu estou fazendo a minha, certamente, estaremos cumprindo o nosso papel de cidadão no real sentido da palavra e quem sabe evitando que crimes como o de maus tratos e outros possam acontecer. Isto se chama prevenção. E, quando há prevenção, o crime, em alguns casos, pode ser evitado. 
 
Saia da sua “zona de conforto” e tome atitudes.
 
Denuncie anonimamente ou vá à delegacia e faça boletim de ocorrência, sirva de testemunha, não tenha medo. A justiça tem que falar mais alto, nestas horas. Só assim poderemos lutar por um futuro melhor e com menos criminalidade. Nós somos responsáveis por isso também com a nossa omissão e comodismo.