O Carnaval surgiu na Europa medieval como um período em que as pessoas comiam carne antes de cumprirem os dogmas relacionados à Quaresma, quando o bom cristão passava um tempo sem ingerir carne, em uma alusão ao corpo de Cristo.
O fato de termos sido colônia portuguesa durante 321 anos nos faz entender o porquê desta festa religiosa ter ganhado força no Brasil, pois o nosso país teve uma forte presença jesuítica, uma das maiores responsáveis pelo processo de aculturação européia, indígena e africana.

Porém, quando falamos em aculturação, temos que entender que a própria é passível de mudanças constantes, ainda mais em um país que foi construído e colonizado dentro de uma lógica mercantilista na qual o trabalho escravo foi peça fundamental, sendo o negro quem mais contribuiu para dar ao Carnaval o balanço e gingado. Isso significa que vamos ter, no Brasil, um interessante caso de mistura entre o que é cristão europeu com elementos africanos trazidos pelos negros escravizados, ou seja, a marca mais contagiante do Carnaval: o batuque!

O samba nasce na senzala como uma forma de explicitar o sofrimento do homem escravizado. Hoje, o samba passou a ser um “artigo” de luxo para o turismo brasileiro, ou seja, de marginal ele passou, a partir do século XX, para o centro da cultura brasileira.
Dentro da importância do Carnaval em nosso calendário, podemos sugerir que ele transformou-se em uma data importante justamente pela força que a educação cristã tem na formação brasileira, além da forte influência da cultura africana.

O Brasil tem um tamanho continental, com regiões culturalmente diversas, que faz com que muitas vezes tenhamos a sensação de sermos estrangeiros dentro do nosso próprio país. Isso nos faz entender porque temos diferentes tipos de Carnaval dentro do Brasil. Por exemplo: Minas Gerais com suas marchinhas nas cidades históricas nos faz lembrar das procissões religiosas; escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo são uma herança das comunidades marginais que encontram na agremiação um importante centro de decisões comunitárias; trios elétricos na Bahia nos fazem lembrar da importância do candomblé para esta região; frevo e maracatu em Pernambuco trazem as festas religiosas onde rei e rainha partilham da festa junto aos seus súditos.
O tamanho do país nos faz ser diferentes até mesmo no que somos mais parecidos. Por isso, falamos de Carnavais e não de Carnaval brasileiro.