1830… 1884! Estes anos remetem alguma coisa para você? Ao ouvir falar nestas datas, você pode entender que grande parte do desenvolvimento econômico de nossa região deu seu “start” a partir de atividades que ocorreram nestes dois períodos. 
 
É certo que a história é dialética e que o contexto deva ser sempre analisado para não corrermos o risco de torná-la diminuta e lógica, o que ela não é. Mas dados os recortes necessários e entendendo que Capivari de Baixo completará 20 anos de emancipação política, sabemos que tem muitas pessoas que acreditam que este espaço de tempo (20 anos) é o que corresponde a história de nosso município. Logo vamos nos permitir adentrar ao século 19 e entender mais sobre o que aconteceu aqui antes de Capivari de Baixo ser emancipado.
 
Em meados da década de 1830, a atividade tropeira se fazia essencial em nossa região com o intuito de comercializar animais, entre outras coisas. Estes grupos, além de sua atividade principal que era o comércio, eram responsáveis pela comunicação entre famílias, divulgação da cultura local e de grandes descobertas feitas por todo o sul do país, e foi neste contexto que a informação de que na região de Criciúma havia pedras incandescentes foi parar nos ouvidos do Visconde de Barbacena, que consegue em 1874 a concessão para a construção da ferrovia através da intervenção do imperador e, por isto, a ferrovia recebeu o nome da imperatriz, dona Tereza Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, esposa do imperador Dom Pedro 2º.
 
Esta ferrovia, que tem 164 quilômetros de extensão e é o menor corredor ferroviário do Brasil, foi muito importante para Capivari de Baixo, porque, ao passar por aqui, integrou o Porto de Imbituba e a mineração até Araranguá. Teve grande investimento por parte da Inglaterra. No ano de 1884, foi inaugurada em Tubarão a Estrada de Ferro Dona Tereza Christina Railway Company Limited, o que seria o motor de propulsão de toda atividade econômica desta região, já que passaria por Capivari de Baixo a estrada de ferro que levaria carvão para os portos de Laguna e Imbituba. E a Inglaterra somente começou a se desinteressar deste investimento em 1887, devido a uma grande enchente que destruiu boa parte da estrada de ferro, mas logo em 1904 o governo federal investiu na ferrovia, que passou a fazer parte do nosso patrimônio Nacional.
 
O leitor pode se perguntar qual o envolvimento entre estrada de ferro e emancipação e eu respondo com uma sequência de ligações: sem os tropeiros, não haveria estrada de ferro; sem estrada de ferro, não haveria Companhia Siderúrgica Nacional; sem CSN, não haveria Sotelca, nem Eletrosul, nem Tractebel Energia; e sem estas empresas e a independência econômica que elas nos proporcionam seríamos mais um bairro de Tubarão.