P arte preponderante do fracasso escolar e da ineficiência das políticas educacionais, decorre da pouca ou desfocada capacitação do magistério. Muitos deles, com formação inadequada às novas demandas, recebem apenas um recado sobre o que devem fazer, quando deveriam receber, no mínimo, um diagnóstico local e geral do problema, prognóstico, objetivos, fundamentação teórica, metodológica, legal e histórica dos conteúdos.

1) O fato de o rendimento dos alunos do ensino básico e do superior ter caído após a expansão das matrículas, indica que as escolas precisam ser capacitadas para ensinar também a diversidade que passou a frequentá-las. A educação básica avança, mas continua entre as piores do mundo em repetência (20,6%), evasão (9,4%) e rendimento (no Programa Internacional de Avaliação de Alunos – Pisa – amargou o 53º lugar entre 64 países e, no Saeb de 2009, pontuou menos do que no de 1995). No superior, aumentaram de 31%, em 2007, para 36%, em 2008, as instituições reprovadas pelo Ministério da Educação.

2) Dois outros fatos denunciam que estamos diplomando pessoas técnica e eticamente inaptas para as novas formas de produção da economia e a construção de uma sociedade equânime e sustentável: Segundo o Pisa, 50% dos alunos com 15 anos não conseguem, entre outras coisas, identificar mensagens implícitas em um texto, e 80% das rescisões contratuais de estagiários, segundo o Instituto Euvaldo Lodi, ocorrem por falta de comportamento profissional.
Este gravíssimo quadro determina formação de professores que, no mínimo dominem, problematizem e transversalizem os conteúdos coerentes com as habilidades, competências e valores adequadamente selecionados; pratiquem avaliação diagnóstica, também coerente com os conteúdos e metodologias trabalhados; intervenham rápida e adequadamente sempre que detectarem lacunas na aprendizagem; tenham a humildade para aprender sempre, principalmente a partir dos alunos (que devem aprender também a conviverem com quem não escolheram) e dos desafios impostos pelas rápidas transformações sociais. Ou seja: professores que vivenciem e avaliem com os alunos os quatro pilares (aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver) que, segundo a Unesco, sustentam a educação.

3) Diante do recrudescimento da violência, onde os alunos são as principais vítimas ou autores, os professores devem ser preparados também para agirem preventivamente e, quando for o caso, intervirem adequadamente.

4) Objetivando erradicar as injustiças e as relações que acomodam interesses diversos em prejuízo da aprendizagem, é preciso instrumentalizar o magistério para cumprir e fazer cumprir as leis do ensino, da aprendizagem, da gestão de pessoas e da disciplina. É preciso também que:

5) O curso tenha como meta principal a promoção dos indicadores de aprendizagem da escola, conforme o Ideb, Saeb, Enem e Enad, norteadores do projeto político pedagógico.

6) Haja meios para que se obtenha 100% da assiduidade e do rendimento dos professores no curso. São longas as justificativas às faltas e as histórias de mero turismo.

7) A direção da escola, sua equipe e alguns alunos, que sejam líderes positivos, devem acompanhá-lo. O resultado da capacitação é potencializado quando o professor toma conhecimento que outras pessoas da escola também sabem que é possível fazer, pedagogicamente, melhor do que está sendo feito e estão interessados em ajudá-lo;

8) Se capacite a escola toda, principalmente quanto aos aspectos didático-pedagógicos. A política de repasses já se revelou improdutiva, pela exiguidade do tempo para o repasse, pela interferência das impressões de quem repassa e pela pouca importância que se atribui, na maioria das vezes, quando o repassador é da própria escola. Quando todos ouvem a mesma fala, eleva-se o debate e contribuiu-se à construção da necessária unidade de posicionamentos, que fortalece o projeto coletivo e a identidade da escola;

9) Todos que atuam na escola devem envidar esforços para que o aprendido no curso seja praticado sem desvio de percurso e de objetivos. Uma forma testada com sucesso nas escolas estaduais de Tubarão, constituiu-se na realização bimestral da atividade que, orientada pelo eixo temático, serve para montar a problematização dos conteúdos programáticos de todas as disciplinas que, juntamente com as historicizações, conferem o significado necessário para que alunos e professores possam compreender e intervir na realidade local e regional. O que demandará, muitas vezes, parcerias com outras instituições e profissionais.

10) As capacitações sejam avaliadas pelo próprio professor, pela escola e pela mantenedora, através do rendimento dos alunos que, somado a outros fatores, devem compor a meritocracia que remunerará melhor, ou não, todos os que atuam na referida escola. Um bom programa de capacitação e melhorias salariais para o professor, atreladas ao rendimento dos alunos e outros fatores, devem se constituir no primeiro investimento para melhorar a qualidade do ensino.