Prof. Maurício da Silva
Mestre em Educação

Surpreendentemente, ‘candidato pergunta para candidato’ sobrevive nos debates eleitorais.
‘Candidato pergunta para candidato’ com o objetivo único de causar embaraços para o concorrente. Jamais para esclarecer projetos e ações que podem contribuir para superar as gritantes desigualdades sociais, retomar o crescimento e dignificar cada brasileiros que busca, honestamente, o sustento da sua família, como se espera dos debates.

Portanto, quando ‘candidato pergunta para candidato’, foca nas questões pessoais ou nas questões em que o inquirido pouco domina para, na réplica, desbancá-lo. Ou, ‘Candidato pergunta para candidato’, cuja resposta, sabidamente, não lhe causará problemas ou atingirá terceiros.
Se o candidato estiver envolvido com atividade malsã, que se acione a justiça. Se comprovadamente culpado, que seja punido no limite e no rigor da lei.

Não se pode ignorar que a desconstrução do adversário tem se constituído em estratégia vitoriosa de campanhas eleitorais e pesadelo para os brasileiros:
1) Na primeira eleição presidencial (1989), após jejum de 29 anos, imposto pela Ditadura de 1964, Fernando Collor de Mello, então candidato do PRN, levou, à TV, Mirian Cordeiro, ex-namorada de Luiz Inácio da Silva, para acusá-lo de tê-la pressionado a abortar. No debate final, Lula teve desempenho considerado ruim e Collor foi o vencedor;

2) Na última eleição presidencial (2014), Dilma acusou nos debates que Aécio faria, se eleito, o que na verdade ela fez depois de eleita.

Collor e Dilma, vencedores, não concluíram os mandatos e o país mergulhou em instabilidades que prejudicam, principalmente, os mais pobres. Mas não serviu de lição. Também nesta eleição, ‘candidato pergunta para candidato’ e candidatos e cabos eleitorais prometem governo sério, mas se utilizam de falsidades (Fake News) para se elegerem.

Debate deveria servir para verificar se o candidato está apto para exercício da função. Aliás, ‘Candidato pergunta para candidato’ em processo seletivo para empresas ou universidades?
Candidato não tem que perguntar para candidato. Candidato tem que responder perguntas sobre questões estruturantes do país, inclusive nos detalhes, como: diagnóstico, metas, métodos, recursos, prazo, etc. Melhor: Quem faz pergunta para candidato precisa ser imparcial, ter conhecimento de causa e direito à réplica para evitar que qualquer dito sirva como resposta adequada.

Significa que, ‘perguntinha’ do tipo ‘o que o candidato pretende fazer para melhorar a saúde, segurança, o emprego etc., favorece apenas a respostas demagógicas que enganam os menos avisados, se não for completada pelo ‘como e quando vai fazer’.

Chega de querer seriedade e eficiência apenas depois da eleição. Jamais haverá governos sérios e eficientes, se eleitos por meios não sérios e não eficientes. Seriedade e eficiência devem ser constantes na vida dos eleitores e dos candidatos, nas campanhas eleitorais e nos debates.
Ou trocam-se governantes, mas os problemas se aprofundam em vez de serem resolvidos. Razão da descrença na democracia e do terreno fértil para aventuras que, historicamente, acabam em tragédia. Da piora do que está ruim.