O ano de 2011 será o começo da redenção no Brasil. Os milhares de problemas parece que estão chegando ao fim. Depois de tanto tempo, de décadas, de centenas de anos, o país que sempre caminhou aos trancos e barrancos, como se diz na gíria, e que até hoje segue literalmente na contramão, em tudo, pode estar encontrando seu verdadeiro rumo. De acordo com as vislumbrantes expectativas dos candidatos ao pleito de outubro, e olha que é opinião unânime, a partir do ano que vem ninguém será melhor do que ninguém. Ou seja, haverá plena igualdade – tudo vai funcionar como manda o figurino, com o cumprimento rigoroso das leis de ofertas e procura e de direitos e deveres. Aí, com exceção do oposto da natureza, obviamente, todos viverão no planeta dos sonhos – no paraíso!

Ah, você está achando exagero? Se seguirmos pela ótica dos fatos, não existe nada extraordinário, apenas é a lógica do que deveria ser feito e do próprio iminente processo em debate. O melhor para todos, indistintamente. É exatamente isto que ouvimos, que vemos e acompanhamos diariamente onde quer que estejamos de todos os postulantes a cargos eletivos. Diga-se, fórmula perfeita para a solução de pequenos ou grandes problemas. Muitos com absoluto conhecimento, e grande parte com total ignorância do funcionamento da máquina pública, arriscam-se a dizer para seus súditos, caso sejam aprovados nas urnas, o que jamais conseguiriam fazer nesta ou em qualquer outra vida que possa existir, tal é a armadilha do incrível e instável jogo do poder.

A tentativa de censurar determinado setor da imprensa dois meses antes das eleições nada mais é do que esconder ou impedir algo errado que por ventura esteja acontecendo. Tanto o humorismo, quanto qualquer outra atividade desempenhada por profissionais de veículo de comunicação, não pode haver cerceamento, caso contrário, caracteriza-se discriminação à liberdade de imprensa. Satirizar em teatro, na TV, no rádio ou em praça pública, usando figuras da política, não é ridicularizar e nem menosprezar. Trata-se somente de uma descontraída interação caricata risível do momento. Muitos dão motivos para isso.

O show de factóide começou e, sem falsa modéstia, todo e qualquer cidadão que esteja envolvido na marcha eleitoral, mesmo os insipientes, não deixa de colocar seu nome em xeque, até porque a imagem arranhada e maculada do sistema, ao menos, gera muita dúvida no aspecto credibilidade para o futuro da nação. Enquanto a palavra prometer, muito usada no meio, não se transformar em dívida ativa jurídica, inevitavelmente a ideologia falsa vai persistir sem nenhum acanhamento.

Eles (os políticos) são extremamente abusados no modo de esconjurar o eleitorado. Ainda que muito afastado do ideal, nos últimos anos, houve uma melhora no tocante à politização do povo. Apesar dessa prerrogativa democrática, por ora, não existir no Brasil, sendo o voto obrigatório, os brasileiros sofrem nas mãos dos mandatários, que disponibilizam poucas ações e muitas promessas não cumpridas. A poderosa máquina insiste em instigar a fragilidade das pessoas no escrito ou no discurso, especialmente aquelas que são dependentes deste modelo vigente ultrapassado. Se não existisse tanta fraqueza, desigualdade e oportunismo para a época, certamente tudo seria bem diferente, e a decisão “sagrada” de escolher os representantes para reger os destinos das ações públicas, aconteceria com maior imparcialidade e mais responsabilidade sem dar e nem receber nada em troca.

A justiça condena, entretanto, há os que utilizam os meandros escusos para burlar as benditas regras e poder introduzir as benesses no círculo vicioso. Este filme, em cartaz, não passa de mais uma das inúmeras reprises nos diversos palcos de todo cenário nacional. Os artistas (atores profissionais da política) são praticamente os mesmos, com pensamentos antigos e até alguns com atitudes reacionárias, excetuando-se pequenas vicissitudes momentâneas com nítido objetivo apenas de influenciar o conjunto subordinado do mega esquema espectro político, para então depois beneficiar o estafe da classe dominante em detrimento do bem coletivo. Prova insofismável são os acordos antes e depois das eleições. Então, prepare-se, o desafio está alçado. Vêm aí 2011, quem sabe não será o início da fase do Brasil novo que a população tanto almeja e gostaria que sempre fosse. Você acredita nesta hipótese?