Não é incomum nos dias atuais observar crianças com problemas na aprendizagem escolar. Alguns destes problemas estão ligados a causas orgânicas (deficiência visual, auditiva, neurológica, etc.) ou por deficiência mental. Contudo, é importante também serem levadas em consideração as questões emocionais envolvidas, abrangendo a criança como um todo neste processo. O estado emocional da criança exerce influências relevantes na aprendizagem tanto positivas quanto negativas. Um fator emocional estritamente ligado à aprendizagem é a autoestima.

A autoestima, por sua vez, é um dos processos psicológicos que mais influencia a vida e o desempenho humano, pois representa o componente emocional do nosso eu, aquilo que acreditamos sobre nós, ou seja, é a imagem que temos de si mesmo. Esta imagem que se tem de si é resultado de uma interação com o meio social, com experiências pessoais vividas, na educação, nos relacionamentos familiares, etc.
Quando a criança “erra” em alguma atividade escolar, ou tira uma nota baixa, ela acumula expectativas das consequências que estão por vir. Exemplo, na hora de contar para os pais, dependendo da dinâmica familiar, ela pode tanto ser acolhida, como também pode receber punições, ofensas, maus tratos e, desta maneira, a autoestima da criança será prejudicada por estes eventos.

Às vezes, a criança já sai de casa para a escola com a autoestima abalada, gerando assim um círculo vicioso, pois, além de não aprender, ela ainda é punida por isso. E esses eventos estressantes anteriores podem causar uma diminuição da sua concentração na escola, ou até mesmo um medo antecipado de não conseguir aprender, o que acaba originando certo bloqueio intelectual, porque ela já não terá a mesma “coragem” ou entusiasmo para arriscar ou para aprender coisas novas.
Não obstante, os pais, os familiares, os amigos, enfim, todo o círculo social da criança pode influenciar tanto para auxiliar quanto para prejudicar a autoestima da criança, ou seja, na tentativa de ajudar, podem atrapalhar o desenvolvimento dela.

Como por exemplo, fazendo comparações: “Fulano é esperto, você não”, ofensas do tipo: “Toma vergonha na cara e vai estudar”, ou: “Você é burro hein!”. A criança recebendo estas frases como “verdades” sobre si, gera um sistema de crença, e este sistema de crença irá dificultar o seu auto-desenvolvimento emocional e/ou intelectual, impedindo-a de ir além daquilo em que acredita, e como consequência disto, seguem as dificuldades e o prejuízo na aprendizagem escolar. Isto ocorre principalmente nas famílias de baixo nível sócioeconômico, onde as pessoas têm menos acesso à informação.

A falta de reforço dos pais também é um agravante no processo de aprendizagem. A criança em idade escolar está em fase de desenvolvimento e deseja que seus esforços sejam reconhecidos. Os pais que não acompanham e não dão atenção as atividades e deveres escolares dos seus filhos, inconscientemente não atribuem importância para aquilo que a criança está aprendendo, assim, a desmotivação da criança para o aprender aumenta, ocasionando também uma falta de perspectiva de futuro. Desta forma, não recebendo estímulo adequado, ela não vai entender o porquê do aprender, e não saberá aonde vai chegar com isto.

Uma criança que recebe apoio no seu aprendizado e compreensão torna a sua autoestima mais elevada, o que facilita ainda mais o processo de aprendizagem. Uma criança com boa autoestima sabe aonde quer chegar, sabe o quanto e importante aprender e, com isso, segue auto-motivada para os estudos. Sendo assim, é de extrema importância que os pais e os familiares se mantenham informados, evitando qualquer tipo de preconceito, respeitando a criança da forma como ela é, nas suas limitações e dificuldades. Isto não quer dizer “passar a mão na cabeça” da criança, mas permanecer atentos às necessidades dela, estar próximo, dialogar e compreender.
Se uma criança apresenta dificuldades na aprendizagem, ela não merece ser tratada com palavras duras ou com ofensas, e sim com carinho, respeito e dignidade. E se ainda assim restarem dúvidas ou necessidade de maiores esclarecimentos, a procura por um profissional psicólogo é recomendável.