Quero aqui falar sobre uma forma de avaliação escolar que merece uma reflexão nossa.
Desde que se foi idealizada a instituição escola, foi estabelecida a prova como uma forma de se avaliar o educando, mas quero aqui levantar algumas dúvidas sobre a sua eficácia.

Pensemos por exemplo no caso de alguns dos grandes filósofos, como Aristóteles, Platão e Sócrates que nos deixaram ideias que serão para sempre fonte de conhecimento, mas não se pode esquecer-se da forma de como esses “gigantes da filosofia” criaram-nas.

Não foi concordando com tudo o que já sabiam, mas, contestando, duvidando de ideologias já existentes, e assim foram desenvolvendo novas teorias. Como se diz, “não são as respostas que movem o mundo, mas as dúvidas”, por isso, será que uma avaliação escolar como a prova permite que surjam novas ideias?
Compartilho do pensamento do Dr. Augusto Cury, que uma nota baixa em uma prova pode fazer com que não apareça um novo pensador, principalmente se o que o aluno respondeu foi aquilo que ele pensava, pois ali poderia estar surgindo uma nova teoria.

Hoje é muito comum criticar a igreja católica, por exemplo, por atitudes que ela tomou frente aos grandes cientistas do passado por contradizer o que ela afirmava. Porém, há de se levar em conta que naquela época não se tinha o conhecimento que temos hoje, de fato, soava até estranho para a mentalidade de aquele tempo dizer que a Terra girava em torno do sol.

Mas o que dizer dos dias atuais, em que se descobriu a existência do átomo, de bilhões de galáxias, mas, na hora de dizer se um aluno é bom, o que vale é que ele responda as questões de uma prova de forma a referendar aquilo que já foi dito e não pode ser mudado.

Eu, particularmente, adoro quando um professor entra na sala de aula faz uma forma de ensinar diferente, começando pelo jeito de como está organizada a turma, ou seja, mudando aquele ultrapassado sistema onde todos se sentam enfileirados, dando assim a ideia de que estamos ali para concordar com o que o professor fale. Prefiro os grandes círculos, onde permitem que o mestre olhe mais profundamente nos olhos do aluno e que os pensamentos da classe transitem mais livremente.

Li num livro do Dr. Augusto Cury sobre o caso de um aluno que respondeu a uma prova inteira, mas não colocou nada do que o professor queria, escreveu as suas ideias, e por isso tirou zero. Daquele dia em diante, o aluno anulou seu senso crítico e deixou de aparecer, talvez, um novo filósofo, ou uma nova teoria, ou seja, mais uma vez a nota foi mais importante.

Será que é correto passarmos um semestre inteiro discutindo teorias, duvidando do que já foi dito, criando novas ideias e tudo isso resumir-se a uma simples nota de prova? Quer dizer que tudo o que foi discutido não serviu de nada?
Na minha opinião, responder apenas aquilo que já é sabido desde muito tempo, pode estar comprometendo uma arte indispensável para qualquer aprendizado: “a arte da dúvida”.

Acho que o sistema educacional mundial está falido, nem sempre forma pensadores, já que somos avaliados como já disse, pelas provas. Se um dia mudar essa mentalidade, talvez, em vez de formar apenas profissionais, estarão se formando também verdadeiros formadores de opinião e novas teorias poderão surgir.
Enquanto isso, em vez de pensarmos mais, temos que usar boa parte do nosso tempo para memorizar aquilo que nos é repassado sem na maioria das vezes criar algo diferente.

Não que eu tenha preguiça de estudar. Pelo contrário. Adoro ler. Mas pense: não é verdade que podemos tirar uma nota dez hoje e amanhã não sabermos mais responder a mais simples das questões dessa mesma prova?
Acho que uma reflexão neste sentido é válida.