Gravatal foi abençoada por Deus, que lhe deu água termo-mineral, com efeitos medicinais de altíssima qualidade. Este fato a tornou uma cidade turística de grande encanto e sedução. É a cidade mais charmosa do sul-catarinense. Para lá, dirigem-se turistas de toda parte: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Argentina, Peru, Suíça. Lá, florescem hotéis com piscinas, muitas lojas comerciais, e lindos e luxuosos condomínios.

Se não fosse a água termo-mineral, Gravatal seria uma aldeiazinha pequena e pobre, vivendo de pouco gado e algumas plantações de aipim e milho, sem a exuberância que tem hoje.
Temos o paraíso, é certo, mas quem usufrui deste paraíso?
Aqui vai a verdade dolorosa: apenas os turistas que se hospedam nos hotéis com piscinas termais, ou uns poucos endinheirados, moradores em belos condomínios, com água termal encanada.

A população local, os moradores permanentes, aqueles que trabalham nas fábricas, nas lojas ou na prefeitura, não têm acesso a esta dádiva que caiu do céu. Não tem acesso a essa água miraculosa porque, simplesmente, não existem piscinas para seu uso, na forma de um balneário público. Não bebem, também, desta água, pois não existem torneiras disponíveis, identificadas e de fácil acesso a todos.

É um contraste passear nas galerias comerciais da cidade e ver os turistas, morenos corados pelo sol das piscinas, e as comerciárias das lojas, pálidas com rosto, braços e pernas brancas como parafina, lindas mas com sorrisos tristes, demonstrando que nunca se espraiaram numa piscina ensolarada de Gravatal.
Isto é uma anomalia, uma violação dos direitos das pessoas. Deus deu um presente magnífico a Gravatal; as elites da cidade – talvez sem intenção, apenas por falta de iniciativa – sonegam este presente aos seus moradores!

Aos turistas tudo, à população nada!
Não creio que a prefeitura nem os empresários sejam contra o balneário público. Basta que um e outro vençam alguns obstáculos e sejam convencidos. O prefeito e seus secretários são operosos e agem visando o bem público. O problema nem deve ser falta de vontade ou apelo público. Deve ser problema financeiro, a falta de dinheiro.

Mas que o dinheiro surja! Vamos dar prioridade ao balneário em detrimento a algumas obras que são unicamente de embelezamento, necessárias, é certo, mas apenas de embelezamento.
Balneário, já! Ou os senhores querem que nossas comerciárias tornem-se senhoras quebradiças, de ossos fracos, por falta da vitamina D, que o banho de sol ajuda o corpo humano a metabolizar?