Paulo Osny May não se limitou a ser um político. Sobretudo, foi o prefeito que inovou, no final dos anos 70, com uma dinâmica de administração pública, projetada em nível nacional como o exemplo preconizado pelos governos federal e estadual para as suas estratégias de desenvolvimento social urbano. Ele habituou-se a dizer que a sua inspiração foi o planejamento do estado nos governos de Celso Ramos e de Colombo Salles. Sim, realmente, as estratégias de desenvolvimento a partir das microrregiões iniciaram-se com o grupo de trabalho de Celso Ramos, liderado pelo economista Alcides Abreu, que aplicou uma metodologia ainda mais avançada no governo de Colombo Salles.

Paulinho instituiu um modelo de gestão envolvendo diretamente 22 comunidades organizadas, cada qual com um conselho responsável pelo planejamento do seu bairro. Com isso, desencadeou o processo de organicidade comunitária pela união das famílias sob o comando de novas lideranças. Assim, os 22 planejamentos deram origem ao plano de metas da prefeitura.

O irrequieto Paulo May, determinado, com regularidade, a soltar palavrões sem, contudo, lançar ofensas pessoais, focou a sua gestão na reconstrução de uma cidade que sofrera, havia pouco mais de dois anos, uma inundação história, na qual morreram 199 tubaronenses. Sua meta foi a de trabalhar pela qualidade de vida, com a premissa de que era preciso evitar a concentração de riqueza em apenas uma área da cidade, disseminando-a para evitar a desigualdade social. Com essa perspicácia, Tubarão alcançou um padrão social invejável, colocando-se entre os seis primeiros municípios catarinenses em movimento econômico.

Criou a Fundação Municipal para o Desenvolvimento Social e Comunitário, com base no modelo instituído pelo governo do estado, a Fucadesc – Fundação Catarinense de Desenvolvimento Social e Comunitário. Ao mesmo tempo, Paulo May preocupou-se em recuperar a infraestrutura urbana. Construiu duas pontes sobre o rio Tubarão e pavimentou as principais ruas, entre as quais a Marechal Deodoro, Morrotes e tantas outras.

Lembro, contudo, que a principal virtude do administrador Paulo May foi pautar suas ações em planejamento. Com isso, não encontrou dificuldade em buscar recursos até no exterior com projetos bem fundamentados. Nesse período, a Unisul, ainda denominada de Fessc, foi desafiada a integrar o esforço de (re)construção de Tubarão e, ao mesmo tempo, a participar de estratégias do governo estadual.

O legado de Paulinho May precisa ser resgatado. No final dos anos 70 – pode-se afirmar sem temor -, ele foi o prefeito que introduziu um novo modelo de gestão pública voltada para a felicidade do cidadão. Não foi sem motivo que muitas cidades brasileiras vieram se espelhar nesse modelo. Paulo Osny May é um capítulo importante da história de Tubarão.