No dia 20 de abril de 2009, os apresentadores do Jornal Nacional, Willian Bonner e Fátima Bernardes, precisaram mais do que um minuto e pouco para anunciar as manchetes, cujo foco era a violência, deixando mais rastros por todo o Brasil. Caro leitor, sem sombra de dúvidas, a ciência contribui muito para o avanço tecnológico, e o desenvolvimento de uma nação. Dentre os inúmeros inventos do homem, encontramos a televisão, que está neste universo há mais de meio século. É exatamente sobre ela, ou melhor, sobre certos tipos de programação, que julgamos não estar bem relacionada com a moral dos bons costumes e que está gerando um grande desentendimento nas famílias e trazendo sérias consequências para uma sociedade já em pânico.

Para assistir a um filme, você tem hoje duas opções: ou você pega o seu carro e vai até a um cinema, ou corre para a sua locadora mais próxima e escolhe o seu filme predileto e assiste em sua própria casa com mais comodidade. Quando comecei os meus estudos investigativos sobre a violência, além de procurar as autoridades judiciais e militares, acrescentei em minha agenda os pastores das igrejas evangélicas, por algum tipo de curiosidade. Eu não estava errado sobre as minhas suspeitas.

Mas, no próximo artigo, quero acrescentar um dado interessante, sobre o papel das igrejas no combate à criminalidade. Observe o que me disse um pastor de certa igreja: “Na minha casa, não temos televisão. Pois, além de não oferecer nada de educativo para as nossas crianças, ela então só mostra os fatos ruins e filmes de violência e pornografia. Na minha igreja, consideramos a televisão como o bezerro de ouro de século 21”. Aceitei suas considerações. Muito embora tenha achado que o pastor tenha exagerado muito em suas conotações. Tenho um amigo que atualmente é procurador público do estado. Mas, em meados do ano 2000, ele era promotor da vara da infância e da juventude.

Naquele mesmo ano, ambos participamos de alguns encontros promovidos pelo: Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) em Florianópolis. Naquela época, tínhamos na pauta a redução da lei penal para os menores infratores. Esperei dar um intervalo para trocarmos alguma ideia. Foi então que eu comentei com ele o que o pastor havia me revelado. Notei pelo seu semblante que aquele comentário não tinha deixado-o muito preocupado. Pois, para a minha surpresa maior, ele veio fortalecer mais ainda o que aquele pastor havia me dito.

Então, disse-me ele: “Na minha casa, não permito que meus filhos assistam a qualquer tipo de programação que não seja sócioeducativo. Portanto, filmes de violência, até mesmo nas séries de desenho animado, estão proibidos lá em minha casa. De lá para cá, não tivemos mais nenhum encontro. Mas, como pai que também sou, e repousa sobre cada um de nós a responsabilidade e a chama sagrada de guardião dos filhos, espero que ele tenha obtido êxito na sua missão de salvaguardar os seus filhos dos ardis que muitos programas de televisão estão oferecendo hoje em dia.

De fato: se o aparelho de televisão possa ser comparado ao tal bezerro de ouro em nosso século, eu ainda não posso afirmar. Agora, concordo com o meu amigo promotor. Deve partir dos pais a iniciativa de fiscalizar o que os filhos estão assistindo diante do espelho ilusório, principalmente os jovens, e não importando o sexo. Não tenha dúvidas. Os canais de televisão estão contribuindo muito para o aumento da criminalidade em nossos dias. E o que falar então das locadoras de vídeos? Filmes com cenas obscenas, e de violência, que podem causar transtornos emocionais e neurológicos em certos indivíduos ou crianças, estão sendo exibidos em horário não permitido por lei.

Então, o que é isso? São algumas das faces da violência. O mundo tornou-se uma tela real e natural da cinematografia a favor da violência. Onde o cinema imita a vida e a vida imita o cinema. Colaboração de José Ortega Gasset (1883 – 1955), A violência é a retórica de nosso tempo.