Florianópolis será tema do Carnaval carioca na Grande Rio. Mas bem ao estilo Franklin Cascaes, que elegeu Floripa a capital da magia, a bruxa está solta na escola. Só uma mudança no regulamento para salvá-la do rebaixamento. O incêndio misterioso sofrido em seu barracão trouxe prejuízos incalculáveis. Ao que parece, nem a prefeitura e nem o governo do estado abrirão o cofre para socorrer a agremiação carnavalesca. O que se fala é em percorrer o chapéu na iniciativa privada em troca de renúncia fiscal. Na prática, retiraria dinheiro para projetos culturais importantes a fim de cobrir o furo da folia.

E o caldeirão não para por aí. A capital sofre com o próprio feitiço que exerce sobre os turistas. A cidade vive abarrotada de gente, engarrafamentos intermináveis e uma infraestrutura incompatível com o volume de visitantes. O aeroporto Hercílio Luz é a constatação cabal dessa inadequação. Por isso ficou fora da Copa do Mundo. Praga das bruxas? Não. Falta de uma política de desenvolvimento sustentável e planejamento urbano. A especulação financeira famigerada reina, e qualquer maldição bruxólica é pouco para tamanho descaso.

O prefeito Dário mais parece aquele príncipe de contos de fadas que não convidou a bruxa para o aniversário. Inevitável que ela se vingaria.  Enfeitiçado pela possibilidade de ser governador, tentou ganhar a convenção sem sucesso. A sua fabulosa árvore de Natal apagada lhe rende dores de cabeça até hoje. Corre o risco de perder o mandato a qualquer momento por conta do processo de prefeito itinerante. E, como desgraça pouca é bobagem, ainda tem a maldita eleição da câmara. Mais um capítulo indigesto.

Florianópolis precisa fazer as pazes com as bruxas urgentemente. Já resgataram inclusive o movimento centralista. Aquela velha loucura de transferir a capital catarinense para Curitibanos. Não se pode duvidar de mais nada. Mas o Carnaval está aí! É preciso esquecer tanta ziquizira e cair na folia. Mas quando a quaresma chegar elas estarão com carga total. Faz-se então hora de colocar a mão na massa. A mais bela das capitais tem que dar a volta na maldição e continuar sendo a visão que nos enche os olhos com encanto e orgulho de viver na Santa e bela Catarina.