Existiria uma ligação entre o arquivista e o historiador? Antes de começarmos a responder essa questão, devemos primeiramente conhecer o que é propriamente um arquivo. Adolfo Brennek define arquivo como o conjunto de papéis e documentos que provém das atividades legais ou dos negócios de uma pessoa física ou jurídica, e que se destinam à conservação permanente de um lugar determinado, na qualidade de fontes ou testemunhos do passado.
 
Os arquivos passam por três fases primordiais: a primeira segue a linha administrativa, ou seja, durante o uso pelo quais foram realmente criados, são de uso administrativo, jurídico e funcional. São armazenados no arquivo corrente.
 
Depois, mais tarde, vêm os arquivos intermediários, que são aqueles que ultrapassam o valor jurídico-administrativo, mais que podem ainda por ventura ser utilizados pelo produtor. Depois disso, entra a terceira idade, aos 25 e 30 anos, contados a partir da data de produção do documento ou do fim da sua transmissão definitiva: os arquivos permanentes.
 
Podemos sentir o real valor do arquivo quando sabemos que possuímos determinado documento e ao mesmo tempo não temos a certeza de onde ele está. Isso significa que temos ”alguma coisa” de que necessitamos, sem que possamos localizar de imediato, o que nos causa muitas vezes altos prejuízos. Assim, é de fundamental importância que o historiador conheça as várias possibilidades de atuação do arquivista que auxilia em sua jornada pela pesquisa e educação.
 
Além de possibilitar a rápida e ordenada localização, o arquivo tem a função vital de guardar e conservar, numa mesma ordem, todos os documentos, preservando as informações e não só para consultas imediatas como para consultas futuras, constituindo assim uma importante memória mecânica.
 
Os documentos históricos de hoje foram os administrativos de ontem e os administrativos de hoje serão os históricos de amanhã. Mesmo os documentos históricos de hoje podem tornar-se administrativos amanhã, por apresentarem diferentes situações, diversas utilidades. Apesar dos arquivos serem conservados primeiramente para fins administrativos, constitui base fundamental para a história, não apenas do órgão a que pertence, mais também do povo e as suas relações sociais e econômicas.
 
Percebemos então que os arquivos são grandes fontes de pesquisa, com eles resgatamos nossa história, conhecemos e difundimos nossa cultura, desenvolvemos a educação e preservamos um patrimônio e ajudamos desenvolver o turismo cultural.
 
O desenvolvimento de laços entre os arquivos e a educação não depende só da compreensão do papel que a educação deve exercer no mundo contemporâneo; são igualmente importantes: o reconhecimento do verdadeiro valor dos arquivos como fonte educativa e a vontade de transformar o valor educativo potencial e realista.
 
O ensino da história poderia ser muito proveitoso se fosse realizado juntamente com os arquivos, e não deve dispensar a colaboração de outros organismos culturais e pedagógicos como museus, bibliotecas entre outros.
 
Portanto, é nesse aspecto que existe um forte elo entre o arquivista e o historiador. Cada um com a sua função, o historiador formado como educador não só pode como deve utilizar do serviço do arquivo e lançar dados para pesquisas, que inseridas nas redes de ensino (fundamental e médio) levarão os alunos a formarem uma consciência crítica e saudável.