O professor Amadio Vettoretti foi uma figura importante na vida da região. Diversos artigos e depoimentos publicados no Notisul atestam isto. Para registro histórico, torno público sua contribuição para o Projeto de Defesa Contra Inundações do Vale do Rio Tubarão, concebido e implantado parcialmente pelo Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS) – autarquia do então Ministério do Interior, do qual fui assessor de imprensa na década de 70.
 
Após a enchente, havia um denominador comum entre as autoridades federais, estaduais e municipais e lideranças regionais e comunitárias: providências rápidas teriam que ser tomadas para elevar o moral da população atingida, tendo em vista que grande parte dela não acreditava mais na recuperação da cidade. Duas linhas de ação estratégica aconteceram para trazer rapidamente recursos para Tubarão, sem que houvesse qualquer tipo de articulação entre elas. A primeira, formal, foi capitaneada pelo prefeito Irmoto Feuerschuette e o governador Colombo Salles, com gestões junto ao Ministério do Interior. A segunda nasceu de uma conversa minha com o assessor de imprensa do Ministério do Interior, o jornalista Orion Neves. Orion Neves era muito amigo do seu conterrâneo cearense o também jornalista Tarcísio Hollanda, que, por sua vez, era amigo do todo poderoso Ministro Chefe da Casa Civil Golbery do Couto e Silva. Este último foi sensibilizado pelo Tarcísio Hollanda, através de informações precisas, e acionou o ministro Rangel Reis, do Interior, para liberar rapidamente os recursos já solicitados pelo prefeito e pelo governador.
 
Em pouquíssimos dias, uma quantia considerável de recursos financeiros foi liberada para a rápida recuperação de Tubarão. Para acelerar todo o processo, o dinheiro foi repassado diretamente à Diretoria Regional do DNOS em Santa Catarina que criou uma Residência em Tubarão, comandada pelo Engenheiro Alberto May. A sua localização era na rua Marechal Deodoro. Como se tratava de calamidade pública, os serviços eram contratados diretamente e executados em prazos curtíssimos. 
 
Nessa época, conheci Amadio Vettoretti e o indiquei como fotógrafo, para registrar e documentar os estragos da enchente e as obras de recuperação do DNOS. Surgiu uma profunda amizade que durou até sua morte. Ele realizou um trabalho fabuloso, pesquisando e fotografando cada etapa. Ao mesmo tempo, colocou em prática uma idéia excelente: produziu um documentário em áudio-visual com slides, sobre toda a devastação causada pela enchente de 1974. A fita sonora foi gravada pelo radialista Luiz Lopes, da Rádio Tubá. Era apresentado nos cinemas de toda a região sul, e causava grande impacto na assistência.
 
Mas recuperar Tubarão era apenas a primeira batalha. Em 1974 18 bacias hidrográficas, incluindo as dos rios Tubarão e Itajaí, sofreram pesadas inundações. Um programa especial de controle de cheias teve início no Ministério do Interior, através do DNOS. A inclusão de Tubarão neste programa era essencial. A segunda batalha começou com Tubarão  lutando por verbas sempre escassas. 
 
Aí entra novamente o trabalho de Amadio Vettoretti. Seu documentário foi uma das peças mais importantes de convencimento das autoridades federais para a criação do Projeto de Defesa Contra Inundações do Vale do Rio Tubarão. Deste foi executado apenas a dragagem. Faltaram as barragens de contenção de Braço do Norte, Pedra Grandes e São Martinho. Mas convém sempre lembrar que obras de engenharia contra inundações são importantes. Mas a providência primeira, prioritária, é um sistema efetivo de alerta e transposição de populações ameaçadas para refúgios seguros. E tem a vantagem de custar muito pouco.