Há 94 anos, no dia 19 de dezembro de 1915, morria o neurologista alemão Alois Alzheimer. Em 1901, ele descobriu a doença que leva seu nome. Embora autor de um grande feito científico, ele teve, no início do século, pequeno alcance social, já que a doença é mais comum a partir dos 65 anos e, naquela época, a expectativa de vida, nos países mais ricos da Europa e nos Estados Unidos, era de menos de 50 anos (no Brasil, 35).
Em 1906, quando publicou suas pesquisas, Pouco se sabia sobre os mistérios do cérebro.

Quem apresentava sintomas do que, hoje, conhecemos como “Mal de Alzheimer”, era jogado na vala comum da loucura. Tanto isso é verdade que a paciente August D., que iria originar o epônimo “Doença de Alzheimer”, foi internada no Hospital Municipal de Lunáticos (!!!) e Epiléticos de Frankfurt, do qual Alzheimer era diretor.
Alzheimer era um pesquisador dedicado, detalhista e extremamente cuidadoso, que possuía uma alta capacidade dedutiva. Ele estudou 170 cérebros de pacientes acometidos por complicações mentais e seus achados neuropatológicos são as referências que temos até hoje.

Para termos ideia da importância e da qualidade de sua descoberta, o diagnóstico da doença de Alzheimer ainda é baseado no que foi descrito por ele, em 1906, apesar de quase um século de extraordinários avanços na ciência médica em todos os cantos do mundo.
Somente nos anos 90, quando a longevidade já começava a ultrapassar os 70 anos, e os casos de Alzheimer multiplicavam-se, é que a doença degenerativa passou a ser mais rigorosamente pesquisada.
Foram resgatadas, nos porões da Universidade de Frankfurt, as lâminas histológicas de August D. e de Johann F. (os dois primeiros pacientes de Alois Alzheimer), permitindo que seus prontuários fossem minuciosamente estudados.

Com os dados clínicos desses pacientes (e mais de 250 lâminas de August D.), foi possível entender melhor o que Alzheimer descobrira há quase um século. Em certas áreas do cérebro das pessoas portadoras da doença, as células começam a morrer formando estruturas microscópicas chamadas “placas senis”. Na medida em que as células morrem, as áreas do cérebro afetadas por estas mudanças, que controlam funções como a memória, não conseguem funcionar como deveriam.

Hoje, quando a expectativa de vida no Japão é de 82 anos e a dos brasileiros já ultrapassa os 73 anos, o mal de Alzheimer torna-se uma preocupação mundial. E quem lidera a pesquisa é o neuro-cientista brasileiro Miguel Angelo Laporta Nicolelis.
Relacionado na revista Scientific American como um dos 20 líderes mundiais da ciência, Nicolelis, diretor do Laboratório de Neuro-ciências da Duke University (USA), é, segundo o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), autor de uma das tecnologias que vão mudar o mundo!

A cura pode vir através de um chip implantado no cérebro. Ele já conseguiu que um macaco movesse um braço mecânico através de comandos cerebrais, tecnologia que agora está sendo adaptada para ajudar pacientes com doenças degenerativas e vítimas de acidentes de trânsito.
Na esteira de Alzheimer, poderá vir a ser o primeiro Prêmio Nobel brasileiro.