O panorama vislumbrado no Brasil é de tonalidade ambígua. De um lado, os pragmáticos celebram a votação favorável ao aborto de fetos sem cérebro, os chamados anencéfalos, por parte do Supremo Tribunal Federal (STF); doutro, uma gigantesca massa humana revoltada com os votos favoráveis, como se percebeu através das redes sociais. Foram as mais diversas mensagens, e-mails contendo reflexões e imagens que corroboram aquilo que o Instituto Vox Populi já divulgou em 2010: “Em média, 80% da população brasileira é contra o aborto”.
 
Como contentar-se, num país democrático, com atitudes impostas dessa forma, como se todos fossem “vaquinhas de presépio”, balançando a cabeça de modo afirmativo a tudo que se define na Suprema Corte… E, mais, está correto um grupo de 11 pessoas, que não foram eleitas pelo povo, definirem aquilo que seria papel dos realmente representantes dos cidadãos?
 
Essa reflexão, porém, não pode ser desestimuladora; ao mesmo tempo não se pode querer justificar tudo. Há poucos dias, celebrou-se a Páscoa cristã… Quem participou do chamado Tríduo Pascal pôde reviver os últimos passos de Cristo, após sua prisão, condenação e morte. O pequeno grupo que condenou o Filho de Deus, porém, não foi o vencedor! O Senhor ressuscitou, vive e reina para sempre. O próprio Jesus assegurou a Pedro que as “portas do inferno não prevaleceriam”. Portanto, a Páscoa de Jesus, que comemora a vitória da vida sobre a morte, inspira todos a reafirmarem com convicção que a vida humana é sagrada e sua dignidade, inviolável.
 
Não é intenção, aqui, insinuar que alguns dos membros do STF, com tais votos, estejam no inferno; afinal, quem somos nós para julgar nossos semelhantes? O desejo é apenas refletir à luz da morte de Cristo, inocente, a morte de tantos e tantas inocentes daqui em diante. Será que essa “liberação” do aborto de anencéfalos não seria o princípio de uma ladeira escorregadia neste campo da bioética onde, daqui a pouco, ninguém segurada mais nada? 
 
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se pronunciou: “Legalizar o aborto de fetos com anencefalia, erroneamente diagnosticados como mortos cerebrais, é descartar um ser humano frágil e indefeso”. De fato, apresenta-se como das piores covardias o ato de matar um inocente indefeso. E mais, a ética que proíbe a eliminação de um ser humano inocente, não aceita exceções. 
 
Os comentários a favor da descriminalização do aborto de anencéfalos foram dos mais variados; alguns até bem ponderados, e que deixam os leitores e ouvintes indecisos em sua postura em relação ao caso. Contudo, a favor da vida vale a pena refletir: que dizer das duas meninas que nascerem sem cérebro e que vivem hoje, uma no Brasil com 2 anos, chamada de Vitória de Cristo, e outra no México, com 7 anos? A mãe de Vitória, de São Paulo, disse recentemente, numa entrevista: “Ela é uma criança com deficiência neurológica e precisa de estimulação, porém, ela não é um vegetal, não é uma coisa. Ela é um ser humano com sentimentos”. O pai também afirmou que a criança sorri quando recebe carinho.
 
Diante do exposto, pairam dúvidas ainda acerca do fato de ser pessoa ou não? Infelizmente, vive-se hoje como se Deus não existisse, e alguns grupos continuam crucificando Jesus, mesmo sabendo que não adianta lutar contra um Deus apaixonado pela humanidade: a vida vence a morte.