Maurício da Silva
Professor e mestre em Educação

o não renunciar, Temer optou por fazer sangrar a ele mesmo e à nação. Todos os dias surgem novas, mais graves e mais verossímeis denúncias sobre o seu envolvimento com a maior roubalheira da História do país, e os seus aliados, no Congresso, começam a debandar, os pedidos de impeachment se multiplicam e seus argumentos são pífios.

Na conversa gravada e exibida em rede nacional, na quinta feira, o dono do frigorífico JBS relata ao presidente uma sequência de crimes que vão de obstrução à Justiça, suborno de procuradores, compra de informações privilegiadas e até tentativa de ter influência em órgãos que regulam e fiscalizam as atividades do grupo empresarial. E que fez o presidente? Não condenou nem mandou investigar a coleção de crimes relatados pelo empresário. Pelo contrário, em alguns trechos da conversa, chegou a repetir que “tava ótimo”. E o empresário “ousou” pedir, na conversa gravada, encontros com Temer na calada da noite…

Com vistas a desqualificar as novas e mais contundentes gravações, exibidas na sexta-feira, Temer fez, no sábado, o segundo pronunciamento público, o qual foi ‘demolido’, horas depois, pelo Jornal Nacional, que noticiou, ainda, o abandono do PSB da base do governo (Roberto Freire, ministro da Cultura, já havia pedido demissão, devido às graves denúncias). A OAB aprovou, na madrugada deste domingo, a recomendação de abertura de processo de impeachment por crime de responsabilidade (já havia oito pedidos protocolados no Congresso). Temer perdeu a credibilidade e as condições para governar o que quer que seja, muito menos um país como o Brasil cujos problemas para resolver são seríssimos!

Sua permanência no governo ou um longo processo de impeachment agravará (e tornará mais difícil reverter) a crise política e econômica e o sofrimento do povo brasileiro. Sua renúncia – e a aprovação da Emenda do deputado Miro Teixeira, que permite a Eleição Direta para presidente da República – possibilitará ao povo brasileiro, via maioria dos votos, dar outro rumo à sua história. A pior escolha popular será bem melhor que qualquer escolha feita por um Congresso, quase todo, sob suspeita ou ter um presidente sangrando publicamente até 2018.

O governo Temer jamais daria certo. Nasceu da traição à Dilma (sua companheira de chapa) e à vontade manifesta da maioria da população (dos que foram às ruas pedir a saída da presidente, 60% pediram, também, a renúncia de Temer, e 79%, nova eleição para presidente da República, segundo Datafolha de 10 de abril de 2016).

Anunciou no discurso de posse um governo de ‘salvação nacional’, mas seria, nas conversas gravadas de Romero Jucá, de ‘salvação pessoal’: Impedir que as investigações da Lava Jato chegassem aos cardeais do PMDB. Formou um ministério inexpressivo e quase todo investigado por maus feitos. Salvaram-se os da área econômica, mas que elaboraram reformas que diminuem os recursos dos mais pobres e se omite quanto a privilégios, corrupção, sonegação de impostos etc., que sangram os cofres públicos para beneficiar os mais ricos.