Quando o prefeito Carlos Stüpp implantou a longa e abusiva lombada ao longo da beira-rio, sugeri apelidá-la de “lombada do soluço ou do arroto”. Não houve quem não explodisse com um arroto tão longo e inapropriado quanto a lombada, ao passar por ela. O Dr. Manoel, ao assumir a prefeitura, não hesitou em reduzir o impacto dos quebra-molas, embora tenha ainda deixado uma ou duas “lombadonas” de causar lombalgia em locais onde o abuso é do motorista.
O problema agora é o abandono do rio.

Ao longo de tantos anos convivendo nesta cidade, atormenta-me a impiedade dos governantes com o rio Tuba-Nharô, o pai feroz. O seu longo e expressivo leito, que enobrece a cidade, enseja tudo o que é imprescindível à humanização do ambiente urbano: poesia, reflexão, arte plástica, música, abraços etc.. O Tuba-Nharô, que na sua fúria destruiu a cidade em 1974, não se importuna e nem se enfeia – ele é bonito por natureza – com seus leitos abandonados, mas um dia ele pode – e deve – ficar furibundo, em repúdio ao seu abandono.

O que deve encolerizar o rio é a omissão do povo, que não tem se importado com o descaso do poder público. Ora, o rio é motivo para movimentos de protesto e de reivindicação, afinal, ele é o símbolo mais significativo da região e, no entanto, pouquíssimos ainda são capazes de parar sobre a ponte para admirá-lo. Willy Zumblick um dia me disse: “O rio que me inspirou a pintar, está despintado, desfigurado”.
O rio é sinônimo de lazer, de encantamento e, no entanto, a cidade prefere ofuscá-lo, marginalizá-lo, quem sabe pelo fedor de suas águas, poluídas pela própria população.

Imaginemos Tubarão com o seu rio de barba feita, alegre, permitindo que as pessoas fiquem em suas encostas, deliciem os espaços em sua beirada, lancem iscas para o entretenimento da pesca. Isso transformaria a cidade, deixando a população mais jovial e disposta. Poxa, caminhar ou correr sobre um calçadão decente, adequado à natureza do rio, seria um privilégio, que só o poder público está sendo incapaz de enxergar.

A população deveria manifestar-se e até se revoltar contra esse descaso. Se as soluções estão amarradas na burocracia da prefeitura ou em exame no Ministério Público, então que as autoridades deixem seus carros na garagem e vão a uma das pontes apreciar o rio. Quem sabe com essa inspiração haja uma autoridade capaz de, com ou sem emoção, dar o start da salvação do nosso Tuba-Nharô.