Quem convive com o estresse de cidade grande sabe valorizar um lugar onde ainda se conversa com amigos na esquina ou onde se reencontra intacto o carro deixado aberto no centro. Tubarão ainda usufrui desses privilégios, mas precisa rapidamente acordar-se porque a avalanche de problemas dá sinais com a liberação dos primeiros trechos da duplicação da BR-101.

Ou Tubarão planeja-se e investe para crescer com qualidade ou não fugirá às graves conseqüências de um desenvolvimento desordenado pelo corredor de transporte humano e de cargas ligando dois estados ao restante do Brasil, em via dupla.

Há uma teoria na Alemanha que ensina com praticidade organizar uma cidade. A primeira recomendação parte do princípio de que se a entrada da cidade é atraente, inspirando limpeza, disciplina e espírito humano, todos os usuários da estrada sentem vontade ou disposição de nela entrar. Mas quando o seu acesso assusta pelo aspecto feio, pesado como o da própria estrada, a cidade não ganha espaço sequer na lembrança do passageiro.

Tubarão precisa vestir roupa nova, melhorar a sua aparência, fazer várias cirurgias plásticas nas suas duas caras (nos dois trevos) para eliminar o aspecto sedentário com que ela apresenta-se ao visitante.

A segunda recomendação parte da lógica de que a cidade precisa ser arquitetada ou reconstruída para os seus habitantes sentirem-se bem. Tubarão tem problemas que já comprometem a qualidade de vida? Sim, é claro, e não são poucos. Isto exige que o gestor mude rapidamente a ótica de resolver os problemas. A maior parte dos 5.560 prefeitos brasileiros governa por osmose política, realizando obras visando aos dividendos eleitorais ou para resolver problemas emergenciais de comunidades.

A cidade de Tubarão precisa ser repensada em todo o seu cenário social, econômico e cultural para acelerar ações no sentido de assumir a liderança no processo de transformação integrada da região e de acordar-se para uma nova realidade em que se encontra entre o caos e a perspectiva de poder se tornar uma cidade modelo do século 21. Contudo, precisa rapidamente acordar-se, ou seja, criar sinergia em torno da mobilização de lideranças, comunidades, instituições, etc. para, sobretudo, acreditar e apostar em mudanças.