Essa frase ainda soa forte em meus ouvidos. Lembro-me perfeitamente quando o nosso saudoso Papa João Paulo 2º a pronunciou durante a festa Testemunho no Encontro Mundial do Papa com as Famílias, no Rio de Janeiro, em outubro de 1997.
As eleições presidenciais de 2010 trouxeram à tona novamente a discussão sobre o assunto, que uns anos atrás foi engavetada pelo congresso nacional graças a um abaixoassinado que foi promovido pela igreja e por entidades que lutam em favor da vida.

Somos um país que possui um estado laico, mas ainda somos de maioria católica e com um elevado crescimento dos evangélicos, sendo que esses grupos têm nos últimos tempos dialogado e buscado soluções juntos, quando se trata de assuntos polêmicos como a questão do aborto.

Interessante verificar que a discussão foi levantada porque a então candidata e agora presidenta eleita do Brasil Dilma Rousseff disse em sua campanha que o aborto é questão de saúde pública. Aliás, é impressionante como se tem batido nessa tecla diversas vezes, isto é, parece que as inocentes crianças são um empecilho para a sociedade.
E quando a questão foi levantada durante a campanha entrou na questão religiosa, que, no meu entender, deve sim orientar os fiéis em questões que atentem contra a vida.

Ora, como pode calar-se a igreja se sua missão profética é denunciar as injustiças e os enganos que podem ser apresentados ao povo. Quem não se lembra de Dom Hélder Câmara, um gigante da fé na luta pelos pobres e denunciando toda forma de agressão à vida.
A igreja tem a missão de anunciar a palavra de Deus e nesse anúncio está em primeiro lugar a defesa da vida em todas as suas fases.
Conforme falei no começo deste texto, há uns anos foram colhidas várias assinaturas que, graças a Deus, levaram o congresso nacional a barrar o projeto de lei que visava descriminalizar o aborto.

Penso que dizer que o aborto é questão de saúde pública é algo sem sentido, porque saúde pública é salvar vidas, construir hospitais de qualidade com profissionais bem remunerados e dar chances para que crianças venham ao mundo, já que o milagre da vida é dom do Autor da Existência e se Ele permitiu que o milagre acontecesse quem somos nós para impedir?

No meu ponto de vista, isso é querer dar uma solução simples para um problema difícil, já que sai mais barato matar crianças do que dar às mães condições para bem criarem seus filhos.
Por que não olhar para o exemplo da grande Dr. Zilda Arns, que em toda a sua vida preocupou-se com a vida das crianças e salvou milhares da morte ao criar a Pastoral da Criança?

Lembro também da querida Beata Madre Tereza de Calcutá, quando dizia que considerava o aborto “um assassinato no ventre”. No antigo testamento, a Bíblia nos diz em Jeremias que Deus nos chamou pelo nosso nome enquanto ainda estávamos no ventre materno. “Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e antes que nascesses te consagrei e te constituí profeta às nações” (Jer. 1:5).
Portanto, é hora de nos unirmos para que os inocentes tenham a oportunidade e o direito de nascerem e viverem nesse mundo que Deus criou para a vida e não para a morte.
Concluo com a frase que intitula este artigo, dita pelo grande papa João Paulo 2º: Aborto, crime abominável, vergonha para a humanidade!