Deus está presente em todos os momentos de nossa vida, no ar que respiramos, no pássaro que voa, numa criança que nasce, na alegria e na tristeza. Ele é o nosso companheiro inseparável, e uma fé verdadeira não depende de milagres, mas sim da sensibilidade de perceber que o nosso Deus Pai encontra-se mesmo quando o milagre não acontece.

Sou católico, congregado mariano, e participo sempre das atividades da igreja, mas não ponho o peso da minha fé na quantidade de milagres que possam ocorrer, pois para mim o maior milagre é a vida, dom gratuito de Deus, e que precisa ser respeitada, amada e defendida em qualquer situação.
Jesus Cristo, quando esteve na Terra fisicamente, nos deixou ensinamentos lindos, que são capazes de fazer com que qualquer ser humano seja feliz. Ele não frequentou uma escola, não tinha acesso aos confortos que temos nos dias de hoje, mesmo assim nunca na história se viu alguém tão feliz e apaixonado pela vida, a ponto de convidar as pessoas a beberem da sua felicidade.

Entretanto, Ele nos deixou alertados de que teríamos dificuldades, ao dizer no Evangelho de João que, enquanto estivéssemos no mundo, teríamos aflições, mas nos encorajou com sua frase: “…coragem, eu venci o mundo.”
Também ao anunciar o Reino de Deus, nas Sagradas Escrituras veremos que Ele sempre deu mais valor à sua mensagem do que aos milagres que fazia. E, quando realizava milagres, advertia as pessoas que não contassem a ninguém sobre o acontecido. Ele não queria o trono social, queria o trono do coração humano. Por isso, quando falavam a respeito de seus milagres, retirava-se do local devido ao alvoroço.

Hoje, vejo muitos anunciando milagres a toda hora, e fazendo muito barulho na mídia, dizendo “na minha igreja acontecem curas, milagres”, o que no meu entender é bem diferente da forma com que Jesus agia depois de curar alguém.
Prefiro a forma com que a igreja católica lida com a questão dos milagres, sempre agindo com cautela, esperando um laudo médico, além de um rigoroso processo. Só para citar um exemplo, em Lourdes, local da aparição de Nossa Senhora na França, houve uma época em que foram registrados mais de 1,2 mil curas, das quais pouco mais de 80 foram realmente comprovadas e consideradas como milagres.

Vemos que a igreja poderia fazer toda uma propaganda em torno de tal fato, mas, como sempre, prefere lidar com cuidado, pois, sendo portadora da mensagem de Cristo, não quer que seus seguidores a busquem apenas para que aconteça algo de extraordinário em suas vidas, mas que sejam fiéis por amor e por entender que ser cristão de verdade, é assumir o compromisso com o anúncio do Reino de Deus, vivendo na comunhão fraterna, atento às dores do povo, e não buscando uma fé individualista.

Eu creio em milagres, mas fujo do espetáculo em torno disso, pois sou agradecido a Deus a cada dia em que acordo, por me dar sempre uma oportunidade de participar do grande show que é viver. Existem milagres que diariamente acontecem, mas não são levados em conta, como o dia e a noite, a natureza, isso sem contar a vida dos santos como são Francisco de Assis, por exemplo, que, mesmo nos dias de hoje, em que a maioria busca o prazer individual, consegue ainda despertar o interesse de jovens querem ser franciscanos para viver uma vida simples, e voltada para o próximo.

No meu entender, para quem ainda busca um milagre para acreditar em Deus, deveria a cada momento apaixonar-se pela vida, olhar para a sua família, exaltar a graça de estar vivo e poder ser um protagonista na história humanidade, entendendo que o Criador nos ama de maneira especial, e ainda nos chama de Pai, um pai que quer ser abraçado pelos seus filhos e mesmo nas dificuldade continua ao nosso lado, dando força. Esse é o Deus revelado por Jesus.

Devemos nos lembrar que Cristo não nos prometeu caminhos sem riscos, mar sem tempestades, e nos ensinou a sermos fortes diante das perdas e dificuldades, para sermos autores de nossas histórias, seguindo o seu exemplo, amando a Deus na pessoa do próximo, especialmente os mais necessitados.