Todos sonham em ir a Pisa, um dia. Não tanto para conhecer as belezas arquitetônicas da antiga capital toscana, ou para apreciar as esculturas em mármore do púlpito do batistério, a obra prima de Nicoló Pisano; mas para registrar, em uma foto ou em um vídeo, sua presença junto à famosa torre, cuja construção começou há 836 anos, no dia 9 de agosto de 1173.
Na verdade não se trata de uma torre, mas de um campanário construído ao lado da bela catedral.

A famosa torre inclinada, obra de outros dois Pisanos, os arquitetos Giulielmo e Bonano, só foi concluída 177 anos depois, em 1370. Mas a inclinação já fora percebida quando a obra atingiu o terceiro andar.
E por que prosseguiu? Porque seus arquitetos tinham consciência de que a mesma linha vertical que passa pelo seu centro de gravidade passa também por sua base. E, assim, ela não cairia.

Por isso, somente em 1990 (817 anos depois!), quando a estrutura apresentou risco de desabamento, foi fechada. Por precaução, permaneceu assim durante 11 anos.
Os problemas com a velha torre de mármore não foram causados por sua estrutura arquitetônica, mas pelo solo instável do chamado Campo dos Milagres, onde foi erguido o belo complexo da chamada “Piazza Del Duomo”. Desde então, a torre desafia a gravidade. Chegou a inclinar-se mais de quatro metros (seis graus em relação ao eixo vertical).

No início dos anos 30, o ditador fascista Benito Mussolini prometeu que a torre voltaria a ser reta. Fez da recuperação da torre um de seus trunfos, para evocar, a seu favor, o orgulho italiano. O desgaste do Dulce foi fantástico. Embora tenham sido injetadas quase cem toneladas de argamassa no solo, o que se viu foi uma inclinação ainda maior.

Em 1989, após o desmoronamento de uma torre medieval na cidade de Pavia, também construída em solo esponjoso, o governo italiano realizou um estudo mais minucioso e chegou a conclusão que a Torre de Pisa desabaria em, no máximo, 20 anos. Após várias tentativas e erros, em 1995 a torre inclinou 2,5 milímetros em uma só noite.
Um grande esforço internacional foi realizado para salvá-la. Os mais abalisados técnicos do mundo inteiro foram recrutados. Chegou-se, ao que parece, à solução definitiva. Uma conclusão óbvia, que não havia sido pensada antes: ao invés de introduzir argamassa no lado sul, como fizera Mussolini, decidiram extrair terra do lado norte para que a torre afundasse desigualmente, a fim de reduzir o ângulo.

Sucesso! A torre teve sua inclinação reduzida! No entanto, reaberta à visitação pública em dezembro de 2001, a estrutura aparentava estar exatamente como antes do fechamento. Mas, na verdade, a construção de 58,5 metros de altura teve a sua inclinação corrigida em 45 centímetros. Após um gasto de 25 milhões de dólares norte-americanos, os engenheiros e arquitetos que integraram a equipe dizem que o monumento está salvo por, pelo menos, mais três séculos!

Em toda a Itália, é comum ver as crianças nas ruas a entonar uma velha cantiga que celebra o magnífico campanário, cujo refrão é o seguinte: “Que viva a torre de Pisa, que pende, que pende, mas não cairá!”.