Anderson Luís Pires Silveira  
Estudante de Medicina da UFSM
andersonpires.ufsm@gmail.com

Os percalços do cotidiano, não raro, fazem com que o ser humano se afaste de um estado de equilíbrio emocional. Em razão desse afastamento e do desejo intenso de solucionar tais contratempos de maneira mais breve possível, o indivíduo acaba não percebendo que pode, por meio das próprias habilidades emocionais, minimizar os efeitos de boa parte dos agentes estressores diários. Ao agir de forma desequilibrada, inevitavelmente, direciona-se a um estado de descontrole emocional. Nesse estado de desequilíbrio, a circunstância estressora, frequentemente, sequestra a capacidade do indivíduo de compreender e de lidar com determinada situação adversa.
O funcionamento anormal das emoções, diante de fatores estressores – internos e/ou externos – é um claro sinal de que o indivíduo, possivelmente, trata as próprias emoções de forma negligente. Tal negligência torna ainda mais difícil o exercício de lidar com as circunstâncias adversas.

Normalmente, os indivíduos conseguem reconhecer os agentes estressores externos, como, por exemplo, um ambiente de trabalho desagradável. A dificuldade maior reside em identificar os fatores estressores internos. Não raro, muitas pessoas, diante da dificuldade de trabalhar com as próprias emoções, procuram pelo auxílio de profissionais da área da saúde. Batimentos acelerados, sudorese excessiva, tensão muscular e sensação constante de alerta, quando sentidos de forma crônica, podem representar sinais de que o indivíduo não está conseguindo lidar com as próprias emoções e com as tensões do cotidiano.

É praticamente impossível eliminar, do cotidiano, todos os fatores estressores. Entretanto, é perfeitamente possível desenvolver as próprias habilidades emocionais para melhor poder lidar com os empecilhos do cotidiano. O primeiro passo, para um efetivo enfrentamento das circunstâncias estressoras, reside na identificação das causas do esgotamento emocional. Sejam ela externas, relacionadas a um ambiente estressante, sejam ela internas, relacionadas às crenças inadequadas, por exemplo. A partir desse reconhecimento, o indivíduo passa a ter a oportunidade de traçar estratégias para o enfrentamento de situações geradoras de tensão.

O sentimento de esgotamento emocional, portanto, reduz-se à medida que o indivíduo passa a praticar o autoconhecimento, simultaneamente, ao autocontrole. A partir de uma postura ativa e confiante, diante de uma circunstância estressora, o ser humano, dia após dia, passa a perceber que possui a habilidade de não se deixar incapacitar pelos fatores estressores. Sejam eles externos, sejam eles internos. Consequentemente, descobre que não precisa viver eternamente como um escravo das circunstâncias estressoras.