A produção de tijolos e telhas do município de Sangão teve seu início na década de 30. Uma boa jazida de argila e os vagões da ferrovia do carvão incentivaram os primeiros empreendedores: Mané Lizandro, João Dias, Deca Cabral, Durval Batista, Didi Silvano, Mané Fraga, Zé Fraga, Hercílio Dorvina, Joaquim Silva, José Silva e outros mais que disputavam um mercado acanhado, sobrevivendo aos espasmos de empreendimentos especiais como o caso da construção do Ginásio Sagrado Coração de Jesus, em Tubarão, por volta de 1945.

O dito “barro” era beneficiado e extrudado por “amassadores”, máquinas primitivas acionadas pelas manjarras tracionadas por duplas de cavalos ou bois e alimentadas a braço por esforçados colaboradores. A argila vinha dos “barreiros”, cavados perto das olarias, às vezes pelos próprios proprietários. Serviço pesado, caracterizado pelo lançamento, com pás, até 2,5 metros de altura, do material que iria ser industrializado.

Por volta de 1960 houve uma melhora: chegaram os pequenos grupos geradores para acionar as extrusoras. Entretanto, ainda “batia-se” a telha e tijolos em gabaritos e mesas rudimentares e, após, eram “lanciados” para prateleiras de secagem.
Logo em seguida veio a energia elétrica trazendo facilidades, completadas com a chegada de pequenas retroescavadeiras (as famosas 580 E) que liberaram as penitências que se pagavam nos “barreiros”. E para que se entenda bem como uma política desenvolvimentista pode ser observada, esta indústria cerâmica começou a sua maioridade com a implantação da BR-59 (hoje a nossa BR-101) que corta o município de Sangão. Ela trouxe a facilidade da abertura do mercado. O Distrito de Morro Grande passou a ser a grande vitrine do sul do país para quem queria comprar telhas e tijolos.

A tecnologia foi modernizada gradativamente, com extrusoras e fornos de melhor qualidade e eficiência. O transporte rodoviário colaborou com as carretas. A argila passou a ser lavrada com possantes máquinas hidráulicas e buscada em outros municípios do sul do estado.

A par disso tudo, um empresariado interessado, incansável ,experiente e corajoso passou a surgir, transformando um segmento desacreditado em uma máquina econômica que mandou a sua mensagem bastante longe. Sangão, em 2009, foi um dos dez municípios que mais cresceu em Santa Catarina. Chegam migrantes de várias partes do Brasil, especialmente do Paraná, em busca da garantia de emprego para toda a família.

Como reflexo direto surgiram grandes plantações de eucalipto, que anteciparam a política da biomassa como energia usada na indústria, originadas pela demanda provocada pela cerâmica vermelha do município.
Atualmente, estima-se uma produção de 35 milhões por mês de telhas da melhor qualidade. Com a colaboração dos órgãos ambientais foi iniciado um processo de controle de eficiência nas emissões particuladas e gasosas. O grande desafio fica por conta dos empresários: aproveitar o grande legado existente e continuar modernizando aquele parque industrial.