Para compreendermos o processo histórico da independência do Brasil, faz-se necessário entender que o 7 de setembro de 1822 não foi um fato isolado de D. Pedro, e sim um processo que integra a crise do antigo sistema colonial, iniciada com as revoltas emancipatórias do final do século 18.
Determinada a história do rompimento com Portugal, a que é a independência do Brasil teve vários aspectos negativos.

A conjuntura que remonta à época é crescente a condenação internacional ao absolutismo monárquico e ao colonialismo, aumentam as pressões externas e internas contra o monopólio comercial português e o excesso de impostos.

Desde 1822, tornou-se independente de Portugal, mas, se indagarmos, o Brasil realmente é independente? Será que ele é dos brasileiros? Sim e não.
Sim, tão somente, porque temos um governo formado por brasileiros, e o Brasil não é mais colônia de outro país.

Não, primeiramente porque muitos brasileiros vivem na miséria, estão completamente alheios à participação dos benefícios da riqueza do país. E não em segundo lugar devido às riquezas geradas e produzidas aqui, estão beneficiando outros países.

Constata-se que a independência do Brasil não beneficiou a classe mais pobre, pois esta nem sequer entendeu o processo de independência. Não modificou a estrutura social e agrária, a escravidão e a distribuição de renda permanecem desiguais. Hoje, as classes menos favorecidas continuam vítimas dessa elite reacionária, que quer priorizar apenas os seus interesses políticos e econômicos.

O processo da independência brasileira foi marcado por uma série de interesses que não emanavam do povo.
A aristocracia rural brasileira encaminhou a independência do Brasil com o cuidado de não afetar seus privilégios, representados pelo latifúndio e escravismo, afastando os setores mais baixos da sociedade representados por escravos e trabalhadores pobres em geral.

Sendo assim, podemos afirmar que a independência foi essencialmente política, só participou a aristocracia brasileira. Ela não aplicou mudanças na economia nem na sociedade brasileira, assim, mantiveram-se os interesses da classe dominante com a estrutura escravista e a dependência econômica perante a Inglaterra com a importação de manufaturas e obtenção de empréstimos, não ficando diferente da atual realidade brasileira, pois, para a grande maioria da população, o dia-a-dia não se modificou.

Nossas riquezas e produtos vão enriquecer outros países, essa autonomia administrativa tão sonhada em outrora, durante o processo de independência, encontra-se fragilizada, pois o Brasil da contemporaneidade é totalmente dependente da especulação estrangeira.
A economia brasileira ainda sofre restrições para promover um desenvolvimento autônomo e próprio, pois o que se percebe até hoje é que, independente das forças e vontades internas, o projeto nacional sempre esteve atrelado às condições internacionais.

O país precisa alcançar formas de gerar rendas próprias, valorizar mais a captação de recursos nacionais e a mão-de-obra existente, gerando assim um efeito dominó que proporcionará uma melhora real da economia e automaticamente nos demais setores.
Ou nos unimos em torno dos interesses de todos os brasileiros, da melhoria da qualidade de vida, da melhor distribuição de renda, da autonomia brasileira, ou viveremos perpetuamente a máxima de que o Brasil é o país do futuro, continuando na ilusão de que vivemos as margens de um país independente.