Desde a antiguidade, o homem apresentou-se diferente aos outros animais com relação às formas de olhar o mundo. A realidade sempre foi descrita por meio das informações visuais. Filósofos, como Platão, buscaram nas imagens uma interpretação que pudesse esclarecer e também apreender o real sem ter necessariamente a presença das imagens.

A simplicidade com que se afirma que a visão é nossa porta de entrada para o mundo exterior talvez não defina bem a importância desta como principal órgão de direcionamento. Essa capacidade existente no ser humano, de perceber as coisas inicialmente pela visão, não significa uma relação somente mecânica a determinados estímulos, pois nosso olhar é voluntário.

O sujeito relaciona-se com a imagem que observa. A própria ação do olhar também intervém na forma de perceber, captar e selecionar as imagens. Nossa capacidade visual vai mais além: olhamos com o nosso conhecimento, com os sentimentos, com nossas crenças, com a história, com a cultura e com nosso organismo psíquico.

Com a invenção do telescópio e do microscópio, essas primeiras máquinas de visão, a “reprodução” imagética da realidade propiciada pelas tecnologias da imagem não se limitaram a ser pelas tecnologias da imagem instrumentais, como extensão dos sentidos do homem, conforme disse o McLuhan, nem tampouco ser totalmente manipulatórias, como consciência, mas sim como valor ontológico, sendo principal formador de uma nova realidade.

Com o surgimento da câmara escura, equipamento antecessor ao da câmera fotográfica que conhecemos, comentava-se que com este novo instrumento existia uma espécie de consenso geral que declarava que o verdadeiro documento fotográfico “prestava contas ao mundo com fidelidade”.

Primeiramente, então, a fotografia passava a ser reconhecida pelo espelho do real, cuja a associação é atribuída à sua semelhança entre o fato e seu referente. Uma percepção que inicialmente advém com a divulgação das primeiras imagens como uma imitação da realidade, fato muito comentado em épocas passadas quando do seu surgimento, considerada por muitos antigos até como objeto diabólico.

No fotojornalismo, o papel da fotografia é do registro de um momento único. Cabe ao fotógrafo estar com uma câmera no momento certo e no local certo, cumprindo uma missão jornalística ou fotografando algo corriqueiro, que abordado em série, pode vir a transformar-se em uma história jornalística. A realidade, muitas vezes, apresenta-se diferente de como se observam os fatos. O conhecimento tido sobre um determinado assunto é que faz refletir sobre o que se vê.

Como a fotografia jornalística não se pode considerar que as imagens publicadas são verdadeiramente o que ocorreu. Captar uma imagem é a tarefa do fotojornalista, que a faz conforme seus enquadramentos, equipamentos e ângulos tomados no fato. O registro de um momento fica vinculado as suas intenções, que, quando não transparentes para a informação, podem ter intenções implícitas.

A fotografia digital trouxe a contemporaneidade muito mais que praticidade e rapidez; a imagem, a partir de agora, é produzida por impulsos elétricos, constituída em sua forma por códigos numéricos, que nada mais são do que dígitos que podem ser alterados imediatamente, sem que com isso possa haver qualquer vestígio de uma imagem modificada.

O papel da imprensa no contexto atual, onde as informações visuais podem ser alteradas, é o da importante função de distribuir de forma rápida a mensagem, mas sem esquecer que é um representante da sociedade, um intérprete das notícias feitas por palavras ou imagens, e que transformadas em matérias têm o dever de levar a verdade aos leitores.