Nos últimos dias, a região de Braço do Norte tem acompanhado uma verdadeira guerra gerada pela declaração de um candidato a prefeito do município de que, se Tubarão ou outra cidade na Amurel não queira abrigar o Presídio Regional, este, se eleito, abraça a causa. Talvez pelo período eleitoral, seus opositores têm feito polêmica sobre o assunto, esquecendo de que o problema de segurança não é desta ou daquela cidade, mas sim do coletivo.

Usando de alegações ofensivas, esquecem que as pessoas apenadas são cidadãos de direitos e deveres assim como todos somos, sem distinção. O que os diferencia é que cometeram algo que gerou dano à sociedade e que a justiça os delegou uma punição. Mas esta generalização nos faz lembrar das sábias palavras do desembargador gaúcho e um dos principais palestrantes sobre direito do sul do país, Amilton Bueno de Carvalho, de que nós, seres perfeitos, consideramos bandido aquele que faz coisas piores do que a minha pessoa faz no cotidiano.

Estes demagogos escondem-se atrás de discursos clamando justiça e paz social. Querem que o poder judiciário cumpra com seu papel e prenda o praticante do delito, mas, na raiz do seu egoísmo, não querem sua recuperação. Em nenhum momento, fala-se de buscar a reabilitação, somente em prender e o mais longe possível de onde este repousa.

Todos nós, mas em especial os políticos, deveríamos saber que o condenado tem direitos e o cumprimento de sua pena deve ser feito em local digno e decente. E, para isto, é necessária uma construção decente, fixada em alguma área de terra, em algum lugar. Não precisa ser no centro da cidade, pode ser em local mais afastado, desde que decente.

Se queremos a punição, ir contra a construção de penitenciárias é a pura demagogia, amostra do discurso aloprado de quem é condescendente com o atual sistema. Quem é contra será que, às vezes, não tem medo de ser o primeiro a ocupar uma destas alas?
Façamos assim então. Vamos colocar nossos detentos em uma ilha, distante 11 quilômetros da costa, isolando-os do convívio com o mundo e de suas famílias. Quando estes retornarem, eles terão cumprido um curso que os qualificaram de meros apenados em estupradores, sequestradores e homicidas.

Daí, hipócritas, pode ser que haja razões para nos preocupar, e muito.
Que Deus perdoe estes hipócritas. Eles não sabem o que falam. E que em breve tenhamos local digno para os apenados. Caso contrário, parem de mentir e vamos juntos evitar que os que buscam o poder para manter a sociedade egoísta e mesquinha sejam banidos da classe política.