Estamos assistindo à uma crise do sistema financeiro mundial, ou seja, uma crise do capitalismo, aquele sistema do qual muitos acreditavam ser infalível e agora está deixando muita gente de cabelo em pé.
Bancos multimilionários quebrando, poderosos pedindo socorro e, mais uma vez, o povo vai pagar a conta. Quando tudo estava indo bem, lucros sobre lucros, ninguém se preocupava com a fome do mundo, por exemplo, que, para mim, é uma vergonha saber que em pleno século 21 milhares de pessoas pelo mundo estão morrendo por não ter com o que se alimentar.

De repente, é como se eles colocassem uma arma em nossas cabeças nos obrigando a pagarmos juros altos, alimentos mais caros, sofremos cortes nos investimentos em obras de assistência social, enfim, na hora de dividir o prejuízo que eles mesmos causaram, é que fazemos parte diretamente do capitalismo. Tudo isso reflexo da crise do coração financeiro do mundo.
Paralelamente, estamos vivendo uma outra crise, que, na minha opinião, é maior que a crise financeira, a “crise do amor”.

Ainda estamos chocados, e não é para menos, com a morte trágica da menina Eloá, ocorrida há poucos dias. Alguém num momento de total descontrole emocional, fora de si, confunde o que estava sentindo naquele momento com amor, achando-se dono da adolescente, fazendo com que ela sofresse os horrores de um sequestro, e ainda lhe tira a vida. Tenta justificar o seu ato cruel dizendo que queria ficar tempo junto dela. Mas é difícil entender como que alguém que queria ficar o tempo todo com quem ama mata.

Amor não é nada disso, o amor, como nos diz a própria palavra de Deus, é compassivo, tudo suporta, tudo crê, tudo espera, é dom total. Quem ama de verdade faz tudo o que for de bom para quem ama sem pedir nada em troca, pois o amor é doação e, mesmo que não seja correspondido, quer ver a pessoa amada feliz, seja com quem for. É como a passagem das duas mães que brigavam pela guarda do filho e, diante da decisão do rei de mandar cortar a criança ao meio e dividi-la entre as duas, uma delas disse que preferia que a criança ficasse com a outra, mas que ela ficasse viva.

Aí se descobriu quem das duas era a verdadeira, pois o amor gera nos seres humanos essas lindas atitudes.
No caso da crise financeira, também falta amor, pois lá impera o lucro desenfreado, a ganância, o poder, quase sempre às custas da desigualdade social.
O nosso querido papa Bento XVI foi muito feliz ao lembrar diante da crise que tudo é passageiro, inclusive o dinheir e só a palavra de Deus é eterna e nela encontraremos abrigo.

Esperemos que os líderes das nações ricas usem de sentimentos quando discutirem não só os problemas gerados pela crise atual, mas as desigualdades sociais que assolam o mundo.
E é papel de todos nós cultivarmos o amor na famíla, a célula vital da humanidade, para que os seres humanos vivam como filhos de Deus, onde não possamos assistir a tantos crimes hediondos, e assim anunciarmos a civilização do amor.
Termino com uma frase da música de Antônio Marcos que diz: “o mundo sé será feliz se a gente cultivar o amor”.