A união igreja-estado garantia ao catolicismo a condição de religião oficial, sendo, portanto, imprescindível administrar sem causar conflitos.
Salvador foi a primeira capital que, através de lei municipal, concedeu o monopólio dos enterros a uma companhia particular.
S
egundo Fernando Dannemam:
“A população, no entanto, revoltou-se com essa decisão, pois entendeu que a aplicação da medida, além de contrariar sua crença e interesses pessoais, também beneficiaria os empresários em prejuízo das agremiações religiosas, provocando-lhes a ruína. Então, segundo os registros, no dia 25 de outubro, uma multidão formada “por mais de mil pessoas, saiu em passeata do centro da cidade em direção ao campo santo, levando consigo “machados, alavancas e outros ferros”.

Aos gritos de “morra o cemitério”, derrubaram a maior parte do muro dianteiro do cemitério recém-inaugurado, demoliram quase toda a capela ali construída, e destruíram tudo mais que encontraram pela frente. Esse repúdio da população em 1836 ficou conhecido por “Cemiterada” e foi responsável diretamente pelo processo de desaceleração da reforma cemiteral no Brasil. Sendo assim, o assunto cemitérios públicos extra-muros ficou esquecido por um bom tempo.

Os resultados deste enfrentamento se fazem sentir através da promulgação de leis municipais, como as de 1874 da Assembléia Legislativa da Província de São Paulo, referentes a cemitérios e enterros, que diz ser inteiramente proibido enterrar cadáveres dentro das igrejas e sacristias ou em redor das mesmas e que preve que as sepulturas não devem ter mais de 1,32 metros de profundidade e serão bem socadas e, em caso de necessidade, poder-se-á enterrar dois cadáveres na mesma sepultura.

A Capela de Nossa Senhora da Piedade, localizada na praia da Armação da Piedade, é considerada a primeira igreja edificada no estado e começou a ser construída durante a colonização do município em 1738, sendo finalizada em 1745. Foi tombada juntamente com seu cemitério e as ruínas de uma senzala. Em Florianópolis, data de 1º de junho de 1841 o ato inaugural do primeiro Cemitério Público da Capital.

Até então, o cemitério situava-se atrás da Igreja Matriz N. Sra. do Desterro (hoje Catedral). O Cemitério Público foi estabelecido no alto, onde mais tarde se daria o acesso à Ponte Hercílio Luz (no lado da ilha). Com a inauguração desta, em 1926, o cemitério foi removido mais uma vez. O alto onde se encontrava o cemitério inaugurado em 1841 era mais elevado que hoje, por isso, na década de 1950, fora desmontado, a fim de dar continuidade à rua Felipe Schmidt.

Os cortejos para o cemitério deste alto eram procedidos a partir da rua Conselheiro Mafra. As discussões a respeito do fim dos sepultamentos dentro das igrejas ganhou espaço à medida que os higienistas começaram a intervir no poder público e a propor novas medidas sanitárias. Isto porque houve um esforço para levar o país à “modernidade” e ao “progresso”, por parte desse setor que acreditava que só a “higiene” seria capaz de livrar a nação das doenças e do “atraso colonial”.