Infelizmente, é possível proclamar com todas as letras: o ano de 2015 foi desperdiçado, jogado no fundo do vale das ilusões perdidas. Iniciamos o ano com as terríveis revelações sobre a extensão e a gravidade da irresponsabilidade fiscal do Governo federal que, literalmente, levou a uma situação de bancarrota a Administração federal para vencer as eleições de 2014. Gastou mais do que podia, do que tinha e do que estava autorizado a gastar. E o pior, adotou uma gestão temerária nas tarifas de energia elétrica, gás, combustíveis e outros preços administrados pelo Governo apenas para ganhar a simpatia da sociedade e os votos dos eleitores.

Foi uma vitória de Pirro. Os resultados desse modelo populista de gestão eclodiram com todo seu devastador efeito no início do ano. A economia está paralisada e a inflação não cessa de subir. O desemprego devora mais de 1 milhão de postos de trabalho. O consumo não cresce, a produção não avança. O nível de confiança do empresário está muito baixo para investir. O consumidor está em pânico. 

Em um quadro caótico assim, seria de se esperar que Governo e Congresso arregaçassem as mangas e trabalhassem, unidos pelo objetivo comum de retirar o País do fosso em que se encontra. Estarrecida, a sociedade assiste a conjugação da incompetência com a omissão de governantes e parlamentares.

Desde o primeiro dia deste Governo até hoje não se avançou um milímetro em direção a uma solução “qualquer solução” que pudesse sinalizar uma tentativa de ataque aos graves problemas nacionais. À abulia do Governo soma-se o descompromisso do Congresso. O único movimento desses quase 12 meses foi para baixo. Estamos afundando dia a dia. Todas as metas da política macroeconômica foram reiteradamente revistas e, finalmente, adiadas. 

Chegamos a um melancólico momento da história contemporânea que nada que Governo e  Congresso façam venha revestido de credibilidade, mesmo que sejam ações legítimas e bem-intencionadas. A sociedade está cansada e os cidadãos, desiludidos. 

Uma febre alienante acomete os altos escalões da República, que parece desconhecer ou ignorar o drama dos milhões de desempregados, de micro e pequenos empresários que fecharam as portas, de famílias desassistidas, de municípios em crise pelo fechamento de médias e grandes indústrias…

O fim do ano chega com o programa de ajuste fiscal do Governo ainda não aprovado e nenhuma medida concreta, para colocar a economia nacional nos trilhos, efetivamente adotada. Sequer medidas de redução de despesas foram implementadas. A única linguagem, que o Governo entende é aumento de impostos.

Depois de proporcionar sucessivos superávits de 100 bilhões de dólares ao ano e, assim, salvar a balança comercial do Brasil, o agronegócio também se declara cansado. As medidas de apoio ficaram só no discurso. As péssimas condições de infraestrutura destroçam toda a eficiência e competitividade obtida “dentro das porteiras” em face da inexistência e/ou das más condições das rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, comunicações e geração de energia.

O pior de tudo não é reconhecer que este foi um ano perdido. É pressentir que, no próximo ano, sentiremos saudades de 2015.