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Opinião

Conselho de classe

Publicado em 23/08/2019 07h00

Prof. Maurício da Silva
Diretor-Presidente da Fundação Municipal de Educação

Quando não compreendido como avaliação coletiva que visa melhorar a aprendizagem, o Conselho de Classe torna-se mero cumprimento de formalidade legal.

Pode-se transformar, também, espaço para acusação entre professores e alunos, que descamba, inevitavelmente, para retaliações que prejudicam, ainda mais, o que deveria contribuir para melhorar: o ensino e a aprendizagem.

São os casos em que o professor acusa o aluno de ser único responsável pelo seu fracasso escolar (não quer nada, não tem disciplina etc.), que, por sua vez, acusa o professor de contribuir com conteúdo desprovido de interesse, aula maçante, relacionamento difícil etc..

Tais acusações, se verdadeiras, podem ser transformadas em oportunidades de crescimento por meio do “fazer elogios em público e chamar atenção em particular”. Mais facilmente, o acusado reconhece o erro e busca ajuda. Do contrário, é comum, justificar o erro e desqualificar quem o critica. Se não forem verdadeiras as denúncias, o autor deve ser responsabilizado, inclusive, legalmente.

Como avaliação coletiva que busca melhorar a aprendizagem, o Conselho de Classe deve ser constituído de, pelo menos, três etapas:
 I. A do conhecimento dos indicadores educacionais do bimestre em foco: repetência, evasão, faltas de alunos e de professores;

 II. A da verificação do cumprimento e da eficácia do instituído pela mantenedora para melhorar os indicadores referidos. Exemplificando, no caso de aluno com nota menor que 7 (sete):

a) O professor passa e corrige tarefas todos os dias? Faz recuperações, planeja, leciona e avalia como orientado? Ensina competências socioemocionais por meio de atitudes? Envia as provas corrigidas para os pais assinarem? Foca no que é estruturante? Orienta as famílias?

b) O aluno faz as tarefas todos os dias? É pontual, respeitoso e assíduo, inclusive no Reforço do contraturno? Presta atenção, tira as dúvidas na aula e intensifica os estudos para as provas?

c) A família acompanha, diariamente, as tarefas de casa e o “Educa web”? Cobra intensificação dos estudos conforme o Calendário de Provas?  Interessa-se pelo que acontece na escola? Assina as provas corrigidas e toma providências para melhorar a aprendizagem? Zela pela retidão, pontualidade e frequência do estudante, inclusive no contraturno? Cobra disfunções de diretores e professores?

d) A escola orienta, acompanha e aciona a família, o aluno e o professor? Prepara ambiente que estimula a boa convivência e os estudos?

 III. A do cumprimento, por todos, do instituído e do decidido complementar e coletivamente, desde a etapa anterior, que melhor se concretiza se o diretor da escola cobrar de todos os envolvidos, ao longo do bimestre seguinte.

Desprovido de objetivos claros e comuns, comprometimento e mudança de postura dos envolvidos, referenciais para avaliação e mediação eficientes, o Conselho de Classe torna-se tão inócuo como obter o diagnóstico, o remédio e não o tomar direito.


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